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Pequenos Clássicos Modernos

Fleet Foxes
Folk/Indie/Alternative
http://fleetfoxes.com/

Por: Cleber Facchi

Se alguém ainda olhava para Seattle com a mesma expectativa da década de 1990, aguardando pelo improvável surgimento de outro fenômeno musical voltado ao movimento Grunge, então o trabalho de estreia do Fleet Foxes foi capaz de modificar essa ótica. Lançado através do selo Sub Pop, mesma gravadora que em 1989 apresentou ao mundo a primeira grande obra do Nirvana – Bleach –, o primo registro em estúdio da banda encabeçada por Robin Pecknold surgiu como uma completa oposição ao que de alguma forma reconfigurava a imagem da memorável cidade norte-americana, substituindo as guitarras por violões, e os vocais berrados por doces harmonias de voz.

Amarrado dentro de uma estética totalmente folk e que vai de encontro ao que Neil Young e toda uma gama de artistas desenvolveram ao longo dos anos 60 e 70, o álbum e suas 11 delicadíssimas faixas em nenhum momento poupam em apresentar uma instrumentação primorosa, construída inteiramente em cima de tonalidades acústicas, arranjos de cordas minuciosos, além de uma exposição musical puramente bucólica. Entretanto, mais do que um belo jogo de sons cuidadosamente planejados, a homônima estreia do grupo norte-americano se concentra em cima de outro importante elemento: a voz.

Fruto de uma sequência de incontáveis audições de obras como Pet Sounds (The Beach Boys) ou mesmo Odyssey And Oracle (The Zombies), o debut do Fleet Foxes usa da voz como uma espécie de corda invisível para o trabalho, amarrando cada uma das faixas presentes dentro do álbum de forma convincente e repleta de beleza. Seja por meio das entonações dolorosos de Pecknold ou mesmo pelo encaixe exato dos coros de vozes enaltecidas por seus parceiros, as vozes e a maneira como são exploradas – tal qual um instrumento musical – correspondem a grande parte do que traz beleza ao trabalho.

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Quando há o encaixe exato entre os elementos instrumentais e a profusão de vozes que se abrigam no interior do registro, a sensação estabelecida é a de que vamos aos poucos sendo guiados para dentro de um universo rural, ou talvez uma densa floresta esverdeada, com Pecknold cantando sobre esquilos vermelhos, flocos de neve que se acumulam nas folhas das árvores ou mesmo pequenas fábulas modernas em que o personagem principal é o próprio ouvinte. Soando como uma espécie de versão masculina de qualquer obra de Joanna Newsom, o registro transita constantemente entre um resultado sonoro próximo do medieval, mas que mantém constante sua aproximação com os sons contemporâneos.

Muito embora os versos enaltecidos por Pecknold ou mesmo a instrumentação bem elaborada de seus parceiros já fossem capazes de garantir um resultado musical mais do que satisfatório, é a presença do experiente Phil Ek na produção do álbum que acaba proporcionando o elemento que faltava ao disco. Responsável por atuar na produção de obras-primas como Keep It Like a Secret do Built To Spill e Chutes Too Narrow do The Shins, o produtor se revela como a escolha mais acertada para capturar a máxima essência do registro, transformando sua atmosfera delicada e repleta de referências campestres em algo bem solucionado e capaz de se relacionar com o grande público.

Mesmo completo em seu estado natural, o disco ganhou posteriormente uma espécie de complemento através do EP Sun Giant, um registro de cinco faixas que acabaram de fora da versão final do álbum e que acabou surgindo como um grande bônus aos que já se pegavam encantados pelas doces melodias enaltecidas ao longo do primeiro registro do Fleet Foxes. Eleito por uma série de veículos como o melhor disco de 2008, o homônimo debut do grupo de Seattle é provavelmente o caminho mais fácil para uma fuga das correrias e da tonalidade cinza do cotidiano para um universo esverdeado, perfumado por um doce aroma campestre e a constante sensação de harmonia.

Fleet Foxes (2008, Sub Pop)

Nota: 9.5
Para quem gosta de: Bon Iver, Band Of Horses e Local Natives
Ouça: Your Protector e Ragged Wood


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