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Pequenos Clássicos Modernos

The Rapture
Indie/Dance Punk/Alternative
http://therapturemusic.cinderblock.com/

 

Por: Cleber Facchi

Tão logo após a explosão de Is This It no começo da década passada, um sem número de indivíduos fecharam os olhos para qualquer tipo de novidade que fugisse dos limites propostos por Julian Casablancas e seus parceiros do Strokes. Quem resolveu absorver apenas o som de guitarras eletronicamente projetadas e o uso de versos montados para encantar os corações pós-adolescentes, posteriormente acabou afogado em um mar de repetições, bandas indistinguíveis, deixando passar uma série de importantes registros que ali brotavam. Quem resolveu sintonizar seus ouvidos em uma única frequência provavelmente deixou de ouvir Echoes.

Lançado sem qualquer expectativa, o primeiro grande álbum do quarteto nova-iorquino formado por Luke Jenner, Vito Roccoforte, Gabriel Andruzzi e Matt Safer (que deixaria o grupo após o segundo disco) fugia completamente dos padrões musicais da época, soando como um registro nada límpido e preso aos riffs monocromáticos que ditavam os rumos do período. Diferente de tantos outros projetos que usavam das experiências ressaltadas por Television e Gang Of Four de maneira praticamente plagiada, o Rapture foi atrás de algo anárquico, pervertendo qualquer possível ligação com o panteão das grandes bandas que surgiram ao longo dos anos 70.

Sejam as guitarras de Andy Gill ou maneira de cantar e compor de Tom Verlaine, todas as mesmas referências que davam formas aos trabalhos das bandas que brotaram no começo do século XXI estão lá, a diferença está na maneira como isso é explorado. Nada segue uma via muito lógica e estável quando nos deparamos com a totalidade do disco. Se em Heaven a banda deslancha um indie rock anfetaminado e que transita pelas raves dos anos 80, em Open Up Your Heart é o oposto, com o quarteto se aconchegando em uma cama de sons deliciosamente moderados e quase etéreos.

Echoes é assumidamente um grande tratado construído em cima de drogas sintéticas que mantém seus criadores em um constante estado de euforia e agitação. Um vasto catálogo de experiências lisérgicas que acabam convertidas em músicas, se afundando tanto nos experimentos ressaltados pelos clubes punks dos anos 70 como na explosão da house music em idos da década de 1990. Nada é reto, básico e tradicional dentro do disco, o que obviamente acaba convertendo o disco em uma grande surpresa para o ouvinte em cada nova audição.

Da experiência musical compartilhada entre The Coming Of Spring e House Of Jealous Love (provavelmente o maior clássico das pistas de dança dos anos 2000) ao oceano de melancolia em Infatuation (com a banda lembrando muito Radiohead), do toque sintético de Killing ao rock honesto em Love Is All, Echoes é simplesmente um registro completo. Um disco acessível e capaz de convergir inúmeras referências sem que para isso soe de maneira pretensiosa ou irregular.

Embora grande parte dos esforços para o bom desenvolvimento do registro esteja na perfeita sincronia entre os quatro membros da banda, a presença de Tim Goldsworthy (que posteriormente ajudaria Hercules and Love Affair e Cut Copy a lançar suas próprias obras-primas) e um ainda “desconhecido” James Murphy trouxeram o elemento que faltava para a excelente condução do álbum. Sujo, dançante e incrivelmente vasto, Echoes é um registro capaz de circular por entre diferentes círculos da música, se camuflar em distintas estéticas musicais e ao fim proporcionar uma experiência única e inimitável.

 

Echoes (2003, DFA)

 

Nota: 10.0
Para quem gosta de: LCD Soundsystem, Cut Copy e Friendly Fires
Ouça: o disco todo.

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