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Pequenos Clássicos Modernos

The Go! Team
British/Indie/Alternative
http://www.myspace.com/thegoteam

 

Por: Cleber Facchi

 

Respire fundo, e vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai time!

Poucos artistas são tão difíceis de serem classificados quanto os britânicos do The Go! Team. Na miscelânea de sons que compreendem o trabalho do grupo é possível encontrar desde transições pela Blaxploitation, doses de Hip-Hop, Funk, Noise Rock até música clássica. Um conjunto de referências que embora pareçam completamente opostas e impossíveis de serem armazenadas em um mesmo projeto, fluem de maneira natural através das canções da banda, algo bem desenvolvido desde a estreia do grupo com o poderoso Thunder, Lightning, Strike.

Lançado em 2004 através do selo inglês Memphis Industries, o primeiro registro da banda britânica – que poderia vir de qualquer outra parte do mundo – foi rapidamente alavancado pela imprensa musical, posicionando o grupo como os responsáveis por um dos maiores lançamentos daquele ano. Comandado pelo inspirado Ian Parton (uma espécie de Quentin Tarantino do mundo da música) a banda foi aos poucos cativando um ativo público, que encontrou no vasto catálogo de sons que abrangem o trabalho do sexteto um abrigo sólido e uma morada para incontáveis hits.

O diversificado recheio musical que toma conta do trabalho da banda surge como um fruto óbvio das diferentes experiências musicais armazenadas por cada um dos seis integrantes do coletivo. Formado por Chi Fukami Taylor, Kaori Tsuchida, Jamie Bell, Ninja e Sam Dook, além de Parton, é claro, o grupo britânico parece manter como seu único ponto central o profundo toque de celebração que marca cada uma das faixas. É como se líderes de torcida histéricas resolvessem montar uma banda de rock, algo que se reflete até mesmo no nome do projeto.

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Dotado de 11 faixas, o primeiro registro do The Go! Team não é um trabalho que se reforça pelos vocais, as letras ou unicamente pela sonoridade, mas pela vastidão de todos os elementos que o compreendem. Tudo soa como uma grande balbúrdia controlada. É como se o registro só alcançasse seu real estado de concisão, quando guitarras ensurdecedoras se encontram com coros de vocais, beats estonteantes, naipes de metais, gritarias generalizadas e toques de dance music que convergem para um único ponto.

Grande parte das canções que delimitam o disco são instrumentais, o que de forma alguma impede o desenvolvimento de um registro pegajoso e divertido. Thunder, Lightning, Strike não apenas faz brotar versos na cabeça do ouvinte, mas é também capaz de construir imagens no cérebro do espectador, como se o disco todo fosse uma grande trilha sonora para alguma série policial dos anos 70 ou alguma comédia adolescente da década de 1980. De fato, a banda só veio a surgir porque Parton precisava de alguém para musicar um documentário por ele elaborado, o que talvez explique a estrutura atmosférica das composições que se amontoam pelo disco.

Carregado de samples e encaixes precisos de sons, o álbum surge como uma versão festiva do clássico Since I Left You, do coletivo australiano The Avalanches, ou ainda como uma trilha sonora alternativa para o conceitual Pulp Fiction. Um disco que converge, tritura e reconfigura distintas e complexas experiências musicais para a fabricação de uma pasta sonora variada e repleta de diversificadas texturas.

 

Thunder, Lightning, Strike (2004,MemphisIndustries)

 

Nota: 9.0
Para quem gosta de: Deerhoof, Sleigh Bells e The Avalanches
Ouça: Ladyflash e Bottle Rocket

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