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Pequenos Clássicos Modernos

Hurtmold
Brazilian/Experimental/Post-Rock
http://www.myspace.com/hurtmold

Por: Cleber Facchi

Lançado em 17 de agosto de 2004 Mestro é um dos poucos discos brasileiros da última década que podem contar com o rótulo de “obra-prima”. E qualquer coisa abaixo disso seria injusto, tamanha a competência da banda formada por Guilherme Granado (Teclado e vibrafone), Maurício Takara (bateria, vibrafone, trompete), Marcos Gerez (baixo), Mário Cappi (guitarra), Fernando Cappi (guitarra) e Rogério Martins (percussão e clarinete) na produção desse disco.

Se há perfeição no disco ela veio de maneira construída ao longo dos anos pela sempre dinâmica carreira do grupo. Fundada em 1998 na cidade de São Paulo a banda é uma união de amigos vindos de universos distintos de interesses musicais, mas que encontram no Hurtmold uma forma de sintetizar todas essas influências naquilo que é o som da banda. Cada uma das composições da banda transita por um mar sonoro que se abala constantemente e reconfigura o ritmo em segundos. O minimalismo se converte em excesso, o rock vira música regional e por aí vão seguindo as canções.

[youtube:http://www.youtube.com/watch?v=oY_cPAO8liA?rol=0]

Diferente dos álbuns anteriores como ET Ceterra (2000) e Cozido (2002), além de um disco split lançado com a banda norte-americana The Ethernals em 2003, o som do grupo em Mestro não se fixa apenas em uma sonoridade voltada ao rock alternativo, post-rock e post-hardcore (o que já era grande coisa), como se estruturavam os lançamentos anteriores. A gama de elementos ultrapassa as barreiras que os limitava e faz com que o grupo transite pelo jazz, pela música brasileira, eletrônica e o experimentalismo nesse novo disco.

Mestro a faixa título e que abre o álbum é apenas uma singela mostra de tudo que será encontrado nos pouco mais de quarenta minutos em que a banda derrama seu virtuosismo. É possível ouvir (e sentir) cada instrumento crescer e morrer dentro da composição. O ritmo mais enérgico e funkeado do começo logo dá lugar a uma instrumentação que atravessa o terreno do jazz, até concluir em uma mistura de elementos que passa pela música regional com acréscimos de eletrônica. E é dentro desse terreno do jazz com toques de experimentação que se constrói Sova, uma faixa que deixaria Miles Davis e seus arranjos mutáveis com orgulho.

[youtube:http://www.youtube.com/watch?v=wifo3aGPUBE?rol=0]

O grupo não precisa nem de muito para dissolver seu som. Amarelo É Vermelho se apega justamente em uma composição de sons minimalistas que quando costurados dão forma a uma faixa versátil e coerente. Até vocais acabam surgindo (mesmo de maneira bem contida) na ótima Chuva Negra, faixa que vai do rock sujo ao virtuosismo jazzístico em segundos, facilmente uma das melhores do disco. O aflorar do lado mais eletrônico da banda se dá principalmente em Miniotario, uma canção rápida, mas que consegue traduzir com eficácia a excelência do grupo.

Com Quase 6 de Misticismo o grupo volta ao uso de minimalismos, dessa vez acompanhado por bons acréscimos de percussão que vão ampliando a intensidade da faixa até seu final apoteótico. Música Política Para Maradona Cantar (os títulos das faixas são sempre ótimos) faz um retrospecto de todos os sons explorados durante o disco, permitindo que o grupo apenas reforce o caráter e a intensidade de suas composições.

Mestro (2004)

Nota: 10.0
Para quem gosta de: Eu Serei a Hiena, Macaco Bong e Gigante Animal
Ouça: Chuva Negra


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