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Pequenos Clássicos Modernos

Lindstrøm
Norwegian/Electronic/Space Disco
http://www.myspace.com/feedelity

 

Por: Cleber Facchi

Se a primeira metade da década de 2000 foi marcada pela explosão do novo rock, disseminando uma série de possíveis “salvadores” da música pelos quatro cantos do planeta, então a segunda metade do mesmo período foi entregue aos sintéticos arranjos da música eletrônica. Entre clássicos irretocáveis como Sound of Silver do LCD Soundsystem e From Here We Go Sublime do The Field (ambos de 2007), In Ghost Colours do Cut Copy e obra máxima do The Knife, Silence Shout, até o brasileiro Gui Boratto acabou figurando com a revolução minimalista de Chromophobia.

Dentro dessa vastidão de bem delineados lançamentos – que ainda incluem Hercules and Love Affair, o retorno do Portishead, os dois álbuns do Burial, Justice e Junior Boys – um produtor norueguês resolveu trilhar um caminho árduo, solitário, porém, extremamente recompensador em seu final. O aventureiro em questão é Hans-Peter Lindstrøm (ou simplesmente Lindstrøm como o próprio se anuncia), que em 2008, longe de qualquer possível expectativa arrastou imprensa e público para dentro das lânguidas e essencialmente detalhistas reverberações da space disco.

Movido por uma precisão musical complexa e inimitável, o norueguês arquiteta ao longo de 55 minutos seu primeiro registro oficial, o atmosférico Where You Go I Go Too, um trabalho constituído de três composições calcadas dentro de uma fluidez minimalista, mas que se abre em um leque de incontáveis exaltações sintéticas. Utilizando da ítalo disco como um plano de fundo ambiental e climático, o produtor vai aos poucos percorrendo distintos caminhos da música eletrônica, navegando tanto pela calmaria inorgânica da ambient music, como pela funcionalidade sincopada da cena house dos anos 90.

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Embora já viesse de uma série de bem recepcionados EPs, singles e (principalmente) incontáveis remixes – muitos deles voltados para artistas completamente alheios ao cenário eletrônico -, é somente com a chegada de seu vasto “debut” que Lindstrøm consegue delimitar um espaço totalmente seu. Bebendo intensamente da Balearic Beat, porém se voltando para um aspecto muito mais minimalista (se você pensou em Minimal Techno enganou-se), o produtor arquiteta um tipo de som raro, uma tonalidade instrumental que parece simplesmente se desfazer durante a execução do trabalho.

Mesmo que a homônima faixa de abertura – com seus quase 30 minutos de duração – acabe assustando quem nunca se deparou com esse tipo de sonoridade (ou experiência), o concentrado de loopings hipnóticos e pequenas projeções languentes que entrecortam a extensa composição acabam por aconchegar o ouvinte, embarcando-o na bem elaborada sequência de sons que acabam brotando. O mesmo acontece com as duas faixas seguintes, Grand Ideas e The Long Way Home, que tem em suas operacionais colagens sonoras e manifestações reducionistas uma sequência de verdadeiros acertos.

Em um período em que cada vez mais o conceito de álbum inteiro dá lugar a registros de composições esparsas e pequenos hits dissolvidos em meio a músicas aleatórias, Where You Go I Go Too se anuncia como um trabalho uno, um extenso agregado de sons que carecem de uma audição precisa e um tempo muitas vezes raro do espectador. A própria apreciação do disco acaba se convertendo em um exercício quase ritualístico, algo visível quando sem perceber estamos completamente afundados nas delicadas exposições sonoras que lentamente saltam do registro. Uma vez dentro do álbum, difícil torna-se a saída.

Where You Go I Go Too (2008, Smalltown Supersound)

 

Nota: 9.0
Para quem gosta de: Prins Thomas, Lindstrøm & Christabelle e The Field
Ouça: o disco todo.

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