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Pequenos Clássicos Modernos

Gas
Ambient/Electronic/Minimal
1995 – 2000
http://www.kompakt.fm/

Por: Cleber Facchi

 

Quando em 2007 Chromophobia, do brasileiro Gui Boratto, e From Here We Go Sublime, do sueco Axel Willner (The Field), circularam com destaque pela imprensa mundial, arrancando lágrimas e suspiros dos aficionados pelo Minimal Techno, por um instante o mundo teve motivos mais do que suficientes de olhar para trás e observar a origem disso tudo. Mais do que partilhantes de uma mesma sonoridade, ambos os produtores foram buscar proteção na casa e nos ensinamentos de ninguém menos se não Wolfgang Voigt, produtor germânico que definiu grande parte do que foi a música minimalista na década de 1990, e um dos grandes gênios que a música eletrônica soube apresentar nos últimos 30 anos.

Pai do cultuado selo Kompakt – gravadora que apresentou os trabalhos de Boratto e Willner em 2007, além de toda uma soma de artistas como Matias Aguayo e The Orb -, Voigt passou a se destacar no começo da década de 1990, quando protegido pelo nome de Gas apresentou ao mundo uma visão particular da música eletrônica e do segmento minimalista que naquele momento estava em alta. Nada de beats monocromáticos aplicados de maneira cacofônica e diminuta, no universo do alemão a música ganhou outro sentido e talvez, até vida própria.

Tudo que é projetado por Voigt se orienta em cima do uso continuo de camadas e sobreposições abafadas de sons. Constantes reverberações sublimes se encontram com teclados marcados por uma homogenia etérea, como se a música proposta por ele simplesmente se desintegrasse no ar, ou se transformasse em gás – talvez venha daí o título do projeto. Cada mínimo espaço da obra do alemão é explorado da maneira menos comercial e pop possível. Entretanto, estranho observar que é justamente sobre o irônico título de Pop que o produtor alcançou o melhor resultado de toda sua carreira.

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Lançado em idos de 2000, Pop se manifesta como um grande acumulo de todas as projeções anunciadas por Wolfgang em meais de dez anos submerso no cenário musical. Seguindo a mesma proposta estética dos anteriores álbuns – que ocultam os títulos das faixas e mantém uma arte de capa semelhante -, o trabalho se manifesta como um passeio de 70 minutos pela mente e pelas experiências de Voigt, que utiliza de antigas experiências com LSD para conduzir boa parte das sete faixas que nascem delicadamente no miolo do disco.

Menos sintético que os três anteriores lançamentos do produtor – Gas de 1996, Zauberber de 1997 e Königsforst de 1999 –, o álbum reforça constantemente o uso de sons naturais, samples aquáticos e ruídos orgânicos que não apenas engrandecem o álbum, como o transformam em uma delicada trilha sonora para um ambiente úmido e sombrio. De fato, em alguns momentos (como na quarta faixa do disco) é até visível uma predisposição mais “pop” do produtor, como se o próprio se elevasse feito um artista comercial e radiofônico. Claro, soterrado em densas e sufocantes camadas de sons que o impedem de ultrapassar determinados limites.

Extremamente raro, Pop é um trabalho esculpido de forma primorosa e sofisticada, com Voigt transitando em diversos momentos pela música erudita – não são poucos os que classificam o disco como “Modern Classical” – e não apenas nos limites do minimalismo eletrônico. Pouco após o lançamento do trabalho, o produtor deixaria o nome de Gas para seguir em carreira com outros projetos musicais, fechando de maneira brilhante um dos projetos mais inventivos que já transitaram pelo mundo da música. Em 2008 um Box lançado pela Kompakt condensaria toda a obra do artista, eternizando a obra do produtor e a apresentando a toda uma geração de ouvinte que possivelmente desconhecessem a obra de Voigt.

Pop (2000, Mille Plateaux)

Nota: 10.0
Para quem gosta de: Tim Hacker, Fennesz e The Field
Ouça: o disco todo