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Pequenos Clássicos Modernos

Constantina
Brazilian/Instrumental/Post-Rock
http://www.myspace.com/bandaconstantina

 

Quando formada em 2003, por membros de diversas bandas que circulavam pelos espaços alternativos de Belo Horizonte, a Constantina tinha como objetivo a produção de faixas instrumentais suavizadas e tocadas de leve por elementos da eletrônica. Com base no homônimo disco de estreia do coletivo, lançado em 2005, é possível dizer que o grupo mineiro não apenas cumpriu com os próprios objetivos, como também presenteou o público com um belíssimo compendio de sons tratados de forma meticulosa.

Enquanto o Hurtmold e demais grupos de música instrumental do mesmo período eram vazão a um som urbanizado e que se sustentava em meio a referências vindas do rock alternativo dos anos 90, jazz e até elementos regionalistas, o Constantina vai atrás de criações focadas no etéreo para movimentar seu disco. Dos islandeses do Sigur Rós, passando pela discografia do Goodspeed You! Black Emperor até a música progressiva dos anos 70, tudo se compacta de maneira delicada nas composições do hepteto.

Formado por Andre Veloso, Bruno Nunes, Daniel Nunes, Gustavo Gazzola, Lucas Morais, Thiago Vieira e Túlio Castanheira o grupo encontra através de um bem construído arranjo de guitarras, piano, bateria e múltiplos instrumentos percussivos uma espécie de refúgio melancólico e intimista dentro desse disco. Desde faixas mais curtas como Porque Sim na casa dos três minutos, até grandes instrumentais épicos aos moldes de Santa Rosália com seus quase 15 minutos a banda consegue de maneira precisa dar vazão a um som diversificado e adornado por complexos arranjos monumentais.

Mesmo que sejam desprovidas de letras as canções do grupo surgem como se contassem pequenas histórias. Em Ele já Atravessou Todos os Oceanos do Mundo, por exemplo, a banda conduz o ouvinte através de uma viagem que se inicia de maneira pacata e logo ganha um fôlego quase aventureiro no decorrer da faixa. É como se você fosse o personagem e baseado nas composições do grupo seguisse com sua própria história. Há desde fábulas alegres em Tudo Possui Um lugar, até historietas melancólicas em Depois da Euforia, além também de momentos que mesclam esses dois elementos como acontece com O Que o Momento Não Diz?.

Se comparado com outros discos do gênero, como Mestro (2004) e Cozido (2002) do Hurtmold, Artista Igual Pedreiro (2008) do Macaco Bong ou ainda A Praia (2008) da banda ruído/mm fica claro o quanto as criações do Constantina são menos enérgicas. Contudo, a sofisticação das faixas evita que o álbum acabe se transformando em um trabalho enfadonho. Os mínimos detalhes que se escondem discretamente ao fundo das faixas, seja uma gaita de boca ou um vibrafone são os elementos que conseguem consolidar o trabalho do grupo.

Além da boa repercussão por conta da crítica, que acabou elegendo o trabalho como um dos mais importantes de 2005, o álbum daria origem a um “filho” no ano seguinte. Jaburu (2006) conta com algumas faixas que sobraram da gravação do primeiro disco da banda, além de algumas versões de ensaio, uma boa dica para quem já se encantou por essa pérola da música instrumental.

 

Constantina (2005)

 

Nota: 8.6
Para quem gosta de: ruído/mm, Hurtmold e Labirinto
Ouça: O Que o Momento Não Diz?

Por: Cleber Facchi

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