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Pequenos Clássicos Modernos

Momo
Brazilian/Folk/Lo-Fi
http://www.myspace.com/momoproject

Por: Cleber Facchi

Enquanto parte da imprensa e do público no Brasil se preocupavam com as dissidências do Los Hermanos, que naquele momento resgatavam o chamariz de outrora por conta do trabalho solo de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante (este com o Little Joy), um trabalho corria sereno na contramão de toda a cena. Discreto e preciso Marcelo Frota sob a alcunha de Momo lançava seu segundo trabalho e categoricamente superava não somente o camelo e o dromedário, mas muito do que fora lançado naquele ano de 2008.

Aos que haviam se encantado com a vivacidade do Supercordas dois anos antes, através do lançamento de Seres Verdes ao Redor (2006) teriam nesse Buscador uma completude desse curto passeio pela música psicodélica que assolava o mundo nos anos 70 e que categoricamente tocava o som do que se produzia no país naquele momento. Porém, Frota não vai atrás das mesmas referências alegres que Bonifrate e sua trupe exploram em seu álbum de estreia. Momo se envolve por um caminho tortuoso e sério, mesmo embalado por uma sonoridade folk mergulhada em sons psicodélicos.

O tom confessional que se esconde (ou se revela) em cada uma das faixas aproxima o álbum não apenas do óbvio Clube de Esquina ou dos demais trabalhos envolvendo Lô Borges. O disco vai também atrás de uma certa breguisse melancólica encontrada nos trabalhos de gente como Fagner e Belchior. Um Syd Barret apresentado de maneira acústica e concisa, um Chico Buarque vintage ou mesmo os Novos Baianos em suas maiores transições hippies. Frota amarra todas essas referências, anos e formatos de som dentro de um padrão maduro, limpo, e que embora psicodélico não seja viajado.

Embora denote uma profunda amargura, tanto nos vocais como nos versos, Buscador revela-se como um trabalho otimista. Se comparado com o personagem taciturno (ou o próprio Marcelo Frota) em seu álbum de estreia, A Estética do Rabisco (2006), Momo se revela dentro desse trabalho um sincero esperançoso. Basta observar faixas como Tristeza, que mesmo com esse título traz em seu miolo versos do tipo “O Sol nascerá/ O Sol Nasceu/ Tristeza se vai/ Não quero mais sofrer/ Entenda que em mim não mora mais”.

Os contornos discretos dados a cada canção escondem na verdade um amontoado de sons e formas variadas em cada minúsculo espaço dentro das faixas. Há desde um teclado Casiotone belamente tocado por Caetano Malta, como um bandolim administrado por Régis Damasceno (Cidadão Instigado) e Max Sette (Orquestra Imperial) despejando um alegre solo de trompete em Se Você Vem. Não se pode esquecer também de Adriano Barros e Bruno Baggion, respectivamente guitarra e bateria durante praticamente todas as faixas.

Lançado em formato SMD o álbum circula com o módico preço de R$5,00, embora possa ser baixado no site do artista. Buscador é assim como um relativo número de álbuns lançados nos anos 2000 um disco essencial não apenas para a compreensão do cenário independente em si, mas para o entendimento do próprio ouvinte por conta da sinceridade e da nobreza de suas canções.

Buscador (2008)

Nota: 8.8
Para quem gosta de: Supercordas, Fábio Góes e Lucas Santtana
Ouça: Se Você Vem

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