""

Ano:
Selo:
Gênero:
Para quem gosta de:
Ouça:
Nota:

Pequenos Clássicos Modernos

Fino Coletivo
Brazilian/Samba/Alternative
http://www.myspace.com/finocoletivo

Por: Cleber Facchi

Do encontro entre o carioca Momo e os parceiros alagoanos Alvinho Cabral e Wado (que mesmo nascido catarinense cresceu em Alagoas) surgiria o Fino Coletivo. A reunião dos três em 2005 fomentaria de maneira fértil a criação de uma sonoridade repleta de ritmos brasileiros e que mais tarde daria origem a homônima estreia do grupo. Lançado em 2007, o primeiro disco do projeto é um condensado de doze faixas bem articuladas repletas de quentura e suingue.

A banda ficaria realmente completa com a chegada de Adriano Siri (vocais), Marcus Coruja (bateria), Alvinho Lancellotti (vocais) e Daniel Medeiros (baixo). Com o grupo formado e um repertório bem ensaiado, mesclando as referências musicais de todos os integrantes o Fino Coletivo partiria para o estúdio, de onde voltaria somente com seu primeiro álbum. O resultado se vê nos sambas caprichados do álbum, trazendo sons que passam pela música eletrônica, o rock e suaves toques de experimentalismo, mantendo sempre a ginga e a fineza nas composições.

Além do relevante número de integrantes, o álbum conta com a participação de outros nomes do cenário musical carioca, como Domenico (+2) e Ivor Lancellotti, além de Totonho (Totonho e os Cabras) representando o nordeste. As inúmeras referências e colagem de experiências dos participantes revelam-se logo em Boa Hora, canção que abre o trabalho do grupo. O sambinha que começa de maneira leve e vem repleto de efeitos de programação vai aos poucos sendo adornado por novas texturas competentemente aplicadas.

[youtube:http://www.youtube.com/watch?v=lY_vd0LovrE]

Mesmo os mais puristas não podem desprezar esse belo compêndio. Mão de Luva, por exemplo, abre como um samba sem muitas intervenções, baseado praticamente em uma instrumentação tradicional, porém, rapidamente entram novas texturas, batidas e interferências, reconfigurando a faixa. É dentro dessas modificações constantes que está o acerto da banda, transformando o que poderia ser apenas mais um disco de sambas em algo criativo e gostoso de ser ouvido. Mesmo quando caminham pelas vias do rock, como em Na Maior Alegria, o grupo não deixa escorrer a possibilidade de intervir com elementos do funk, samba e suavizados toques de eletrônica.

Até em composições curtíssimas como Uirapuru o Fino Coletivo chega costurando uma gama de sonos e formas acústicas distintas, evidenciando a habilidade do grupo em construir suas canções de maneira versátil. Se com músicas mais curtas a banda mostra a que veio, com pérolas mais alongadas feito Tarja Preta/Fafá a qualidade e distinção das criações são ampliadas, com o coletivo tirando o máximo de suas habilidades musicais.

O álbum conseguiria uma boa repercussão tanto do público como da crítica, o disco ecoaria até alguns anos mais tarde, tendo composições como Uma Raiz, Uma Flor incluída até em trilha sonora de novela. Em 2010 o grupo voltaria com seu segundo álbum, Copacabana, porém sem a mesma força deste debute. Na dúvida, fique com o trabalho de estreia da banda.

Fino Coletivo (2007)

Nota: 8.3
Para quem gosta de: Wado, Curumin e Momo
Ouça: Boa Hora
[soundcloud url=”http://api.soundcloud.com/tracks/4259575″]