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Pequenos Clássicos Modernos

Los Porongas
Brazilian/Alternative/Rock
http://www.myspace.com/losporongas

 

Por: Cleber Facchi

Já faz algum tempo que se convencionou afirmar a não existência de vida no Acre, mas se por lá não há qualquer organização de seres pensantes, o que explica a estreia do quarteto Los Porongas em 2007? Produzido por Philippe Seabra da banda brasiliense Plebe Rude, o álbum é um achado dotado de beleza lírica e uma instrumentação caprichada, que se não mudou o fluxo do rock nacional, pelo menos mostrou que sim, há vida (e criativa) num dos pontos mais remotos do país.

Seja pela distância física ou por outros fatores inimagináveis, mas o fato é que o som do quarteto Iogo Soares (letras e voz), João Eduardo (guitarra, teclado, efeitos), Márcio Magrão (baixo) e Jorge Anzol (bateria) se distingue de muita coisa lançada durante o mesmo período. Enquanto boa parte das bandas que soltaram seus trabalhos em 2007 traziam uma forte influência estrangeira em seu som, o grupo de Rio Branco chegava expondo uma sonoridade bem mais “brasileira”.

É como se todas as multiplicidades estrangeiras que atracaram em solo nacional, via rede, radio ou televisão ainda não tivesse aportado por lá, como se o que ecoasse fossem os sons dos anos 80 e princípios da década de 1990. É perceptível tanto através das letras como dos sons despejados pela banda reflexos de grupos como Legião Urbana ou Chico Science e Nação Zumbi no começo da carreira. Vêm também Beatles, Gilberto Gil, alguma coisa de The Smiths, além de um toque discreto de psicodelia, mas tudo de uma maneira menos limpa ou compactada e muito mais… Rock.

[youtube:http://www.youtube.com/watch?v=nEuTC_TwLdk?rol=0]

Logo em Espelho de Narciso, canção que faz a abertura do disco, a banda chega entregando acordes abertos, uma guitarra bem mais roqueira, uma bateria madura, séria e um baixo que preenche nossos ouvidos com totalidade, sempre enaltecendo a letra cuidadosa de Soares. E por falar nas letras são elas     que fisgam o ouvinte por conta de seus versos construídos com precisão. É visível o cuidado do letrista em talhar de maneira artesanal cada pequeno fragmento poético das faixas, provando que para além de uma boa sonoridade o grupo cativa por suas histórias ou confissões líricas.

Para além das costumeiras histórias de amor que tanto se evidenciam nos compositores dos anos 2000, a necessidade de partir, a mudança e a instabilidade (física ou emocional) são os temas de grande parte das canções desse registro. “Porque eu não quero ficar aqui/ Enquanto uns dormem/ Quero um balão pra poder subir/ E avise que vou voltar se não cair” declama Soares em Enquanto Uns Dormem, uma das mais belas composições do álbum. A mudança também fica expressa em Espelho de Narciso e Ao Cruzeiro, e a banda estava mais do que certa em partir, sair e ser conhecida.

O Los Porongas assim como tantos grupos que surgiram no começo do novo século são frutos certos de uma geração que se evidenciou pelos festivais de música, transportando os sons de uma região para outra, além, é claro, da mão ativa da internet. O quarteto acreano poderia ser apenas um lampejo escondido na densidade da floresta amazônica, mas que ainda bem evidenciou-se no meio de sua própria clareira.

 

Los Porongas (2007)

 

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Porcas Borboletas, Vanguart e Nuda
Ouça: Nada Além

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