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Pequenos Clássicos Modernos

Nação Zumbi
Brazilian/Manguebeat/Alternative
http://www.myspace.com/nacaozumbi

Por: Cleber Facchi

Psicodelia em preto e branco”, nunca uma definição fez tanto sentido como esta para o quarto disco da carreira do Nação Zumbi (não contando os álbuns com Chico Science). Cru e pesado de uma maneira quase visceral, Futura (2005) entrega a banda recifense símbolo do manguebeat de maneira inorgânica e repleta de referências futuristas em seus contornos. Em pouco mais de quarenta minutos de duração, o trabalho apenas atesta a excepcionalidade do grupo e mostra o porquê de serem um dos maiores grupos musicais do país.

Brilhante do começo ao fim, o disco despeja uma seleção de faixas recheadas por uma instrumentação primorosa, em que a guitarra de Lucio Maia assume não apenas o controle do álbum, como faz com que todos os instrumentos e elementos que compõem o trabalho circundem seu instrumento. Embora já tivessem provado nos dois discos anteriores que a ausência de Chico Science (morto em 1997, vítima de um acidente automobilístico) nunca fora um empecilho para o processo criativo do grupo, com Futura a banda consegue se superar.

Toda a sombra do antigo líder, que abençoava (ou ameaçava) o trabalho da banda pode ser esquecida a partir desse disco. A instrumentação e os adornamentos dados às composições fluem como algo diferente e novo, que em nenhum momento lembram a Nação Zumbi dos velhos tempos. A produção do disco que se divide entre a banda e o canadense Scotty Hard (que já havia trabalhado com grandes nomes do hip-hop, dub e da Black Music) proporcionam ao álbum um som que o afasta dos demais lançamentos dos recifenses, como se todo o peso do regionalismo de outrora ficasse afastado.

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Embora venha carregado de referências eletrônicas e que por vezes dão toda essa tonalidade cinza ao álbum, em nenhum momento a banda faz uso de samplers. Cada instrumento sejam eles teclados, batidas ou minuciosos acréscimos foram todos providos e edificados manualmente. Talvez por conta da presença de tudo acarrete certa artificialidade. As alfaias e toda a gama de instrumentos percussivos ficam longo do primeiro plano, algo que praticamente estabelecia o que era o grupo em outras épocas.

Lançado através do selo Trama, o álbum conta com um número excepcional de singles e faixas dotadas de uma acessibilidade enorme. Além de Hoje, Amanhã e Depois e A Ilha, primeiras músicas de trabalho deste disco, faixas como Voyager, Na Hora de Ir e Memorando apresentavam toda a funcionalidade do grupo pernambucano. O lado fácil do grupo em algumas composições não quer dizer que músicas mais experimentais ou com o grupo diversificando seu estilo não fossem encontradas, basta ouvir a faixa Sem Preço para entender isso.

Futura mostra não um amadurecimento na carreira da banda, afinal, toda a maturidade do Nação Zumbi esteve presente desde seu primeiro registro em meados dos anos 90. O álbum apenas abriu caminho para que a banda explorasse novas texturas dentro de seu trabalho, feito que se expandiria no álbum seguinte, Fome de Tudo (2007), mesmo que dentro de uma aproximação maior com a música pop.

Futura (2005)

Nota: 9.4
Para quem gosta de: Mundo Livre S/A, Maquinado e Eddie
Ouça: Sem Preço

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