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Pequenos Clássicos Modernos

Polara
Indie/Post-Hardcore/Alternative Rock
1999 – 2007

Por: Cleber Facchi

 

Muito mais do que o nome de um carro popular dos anos 70, Polara é também o nome de um sexteto paulistano de post-hardcore criado em 1999. A banda formada por Carlinhos (Voz), Japa Sato (Baixo), Teste (Banjo), Fernando (Bateria), Crespo (Guitarra) e Marinho (Guitarra) teve no lançamento de seu último disco de estúdio a concentração máxima de suas habilidades, tanto na criação de melodias acessíveis, quando de belas letras cantadas em português.

Lançado em 2008, Inacabado é um trabalho que mescla boas doses de guitarras bem ensaiadas e rápidas, com um conjunto de poemas sinceros, elementos que perpassam toda a carreira do grupo, mas que aqui se acentuam de maneira experiente e levemente melancólica. Servindo como uma grande Meca, a banda era o ponto de encontro de diversos músicos vindos de cenários e bandas próximas ou distantes, como Hurtmold, Planet Hemp, Mamelo Sound System, Againe e College.

Situado em meio a grande explosão de bandas “emo”, o disco acabou erroneamente circulando como um exemplar do mesmo gênero. Entretanto, enquanto boa parte das bandas nacionais fundamentadas no emocore tratava seus temas de maneira juvenil e até pueril demais, os paulistanos davam um novo enfoque ao seu tipo de som. As letras (mesmo sentimentais) tratam tudo de maneira adulta, séria, tendo na utilização de um instrumental melódico seu grande elemento de centro.

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A beleza com que o sexteto constrói suas canções evidencia-se através de musicas como Boate, em que a letra sorumbática se desenvolve graças ao auxílio das bem apuradas guitarras e do coro de vocais complementar. Se ver cantando versos como “Tudo que eu queria é tua doce companhia pra dançar na boate” após uma única audição da faixa não é nada estranho, já que o grupo não consegue apenas prender os ouvintes com suas emocionais, mas também pelo jogo de palavras pegajosas, uma verdadeira armadilha para nossos ouvidos.

Um dos elementos de maior acerto dentro do disco é a construção de faixas marcadas por uma instrumentação simplista, mas ainda assim eficiente. Em Ritmo Jovem, por exemplo, as guitarras estão bem inclusas, porém não há nada demais escondido ali, já os vocais, estes ganham um maior destaque no desenrolar da canção. A maneira com que o grupo insere o coro vocálico, uma voz se sobrepondo a outra acabam tornando a faixa mais dinâmica e ainda mais envolvente.

Embora estivesse todo gravado em 2007, o término da banda atrasou o lançamento do disco, que só saiu no ano seguinte graças ao produtor e guitarrista Rafael Crespo. O músico cuidou da mixagem das canções assim como da inclusão de novas músicas como Charme e Charminho, ambas faixas bônus. Inacabado é um registro sentimental não apenas por suas letras ou instrumentação, mas por sabermos que é o último registro de uma das grandes bandas do rock alternativo nacional.

 

Inacabado (2008)

 

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Againe, Gigante Animal e College
Ouça: Rabo de Galo