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Pequenos Clássicos Modernos

Astromato
Brazilian/Indie/Lo-Fi
1998 – 2001

Por: Cleber Facchi

Fruto dos anos 90, quando ainda se chamava Weed e tinha suas letras cantadas em inglês, o Astromato é de longe um dos grupos mais importantes do rock nacional, embora sejam parcialmente lembrados e na maioria dos casos esquecidos. Enquanto o Brasil se preocupava em saber qual seria o novo hit do verão, os paulistas da cidade de Campinas se posicionavam oferecendo uma sequência de guitarras sujas claramente inspiradas em The Jesus and Mary Chain ou ainda nas melodias pop do Teenage Fanclub.

Assim como Brincando de Deus e Pelvs, o grupo formado por Armando Turtelli, Pedro Ferreira e Fabrício Frebs é um desses casos raros na música brasileira. Seguindo na contramão de tudo que estava em voga, a banda lançou em 2001 Melodias de uma falsa Estrela, um trabalho que pode ser firmado como um dos marcos da música independente brasileira, não apenas por seu direcionamento, mas pelo conjunto de letras e melodias apuradíssimas.

Embora todos os olhares (pelo menos o da imprensa especializada) se voltassem para o retorno do Los Hermanos com seu clássico imediato Bloco do Eu Sozinho (2001), aqueles que souberam aproveitar o primeiro (e único) registro dos paulistanos tiveram muito que comemorar. As letras, em geral falando sobre o amadurecimento e pequenos casos amorosos despontam toda a habilidade do trio como letristas, tendo no aplique de guitarras rebuscadas (mas ainda assim pegajosas) um cruzamento brilhante, poucas vezes visto no rock nacional.

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Lançado através do selo Midusmmer Madness, o álbum chega com canções que são verdadeiros clássicos do novo século. Entre as belas composições estão as preguiçosas No Macio, No Gostoso e Qualquer Outra Bobagem, canções feitas para quem está na casa dos vinte se dividindo entre crescer ou continuar na mordomia, ou como canta o trio, “ficar aqui, no macio, no gostoso”.

Ao mesmo tempo em que certas faixas despontam uma faceta mais madura do grupo, pérolas como Canção do Adolescente fazem um retrocesso, trazendo uma estética juvenil ao álbum. Entretanto, difícil não se deixar levar por versos como “Ela se foi, eu não ligo/ Dias melhores não demoram a chegar/ Não tenho opções/ Só vivo o presente”, fazendo com que o adolescente há tempos adormecido volte à tona. Outros registros como Não Sei Jogar e Aqui abordam a mesma temática, dando ao disco toda uma carga nostálgica e até necessária.

Divergências entre os integrantes fariam com que a banda chegasse ao fim antes mesmo de uma possível sequência tomar forma. O término precoce do grupo, porém, apenas contribuiu para que toda uma aura fosse criada em torno do Astromato, fazendo deles uma das bandas mais elogiadas (e amadas) tanto pelos fãs, como por críticos musicais e diversos nomes do rock contemporâneo. Um dos discos essenciais para entender a música independente dos anos 2000, como para ser agraciado com uma sequência de belas melodias.

Melodias de uma Falsa Estrela (2001)

Nota: 10.0
Para quem gosta de: Pelvs, Radiare e Brincando de Deus
Ouça: O disco todo


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