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Pequenos Clássicos Modernos

Los Hermanos
Brazilian/Alternative/Rock
http://www2.uol.com.br/loshermanos/

Por: Cleber Facchi

Embora O Bloco do Eu Sozinho (2001) seja um trabalho que tenha revolucionado o rock brasileiro dos anos 2000 é com Ventura (2003) que o Los Hermanos firmava-se como a maior banda nacional do mesmo período. Instrumentalmente o quarteto dava um salto gigantesco em relação ao primeiro disco, gerando uma sonoridade muito mais acessível e concisa, abrindo espaço para que Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante se sagrassem como os maiores compositores de sua geração, elevando as apresentações do grupo a um patamar de quase celebração.

O terceiro disco dos cariocas é todo marcado “adversidades”. A primeira delas se dá pela falência da Abril Music, antigo selo do grupo, que fez com que a banda migrasse para a BMG pouco após a finalização do álbum. Já a segunda delas, se da ao fato de que Ventura é o primeiro disco nacional a “vazar” de maneira integral via rede. Antes mesmo do trabalho ser finalizado, uma espécie de ensaio geral, com todas as versões do disco previamente concebidas acabou caindo na grande rede, o que de certa forma contribuiu para uma maior popularização do trabalho.

Ao contrário do disco anterior, o terceiro álbum do Los Hermanos segue por uma via menos hermética, com o quarteto apoiado em uma sonoridade muito mais roqueira e despojada que a anteriormente explorada. Claro que a mistura de ritmos, elemento de destaque na carreira do grupo, além da clara influência do produtor Kassin (Ex-Acabou La Tequila), resultam em uma hábil aventura pelo samba, que serviu não apenas para confundir a cabeça de críticos na hora de rotular o grupo, como evidenciou a habilidade do quarteto em adentrar estilos e misturar fórmulas.

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Tanto Amarante quanto Camelo tem em Ventura a maturidade poética alcançada, sobrepondo-se inclusive ao belo resultado encontrado anteriormente com O Bloco. Enquanto o primeiro compositor se afunda na criação de versos divididos entre existencialismos – como o Velho e o Moço (utilizando-se de trechos do livro A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera) – e casos cotidianos – como ocorre em Um Par (remetendo à cleptomania) e Do Sétimo Andar (sobre a loucura) – o segundo se responsabiliza por canções repletas de emoções sinceras (O Pouco que Sobrou e De onde Vem a Calma), brincando com o eu-lírico em diversos momentos, como o que acontece em A Outra.

A musicalidade do disco é outro elemento de destaque, já que a concisão instrumental dada por Kassin permite que um naipe de sopros passeie sobre boa parte do trabalho, dando ao disco um aspecto muito mais animador e repleto de climatizações latinas. Tanto o baterista Rodrigo Barba, quanto o tecladista Bruno Medina tem suas participações intensificadas, fazendo com que os louros não sejam unicamente centrados na dupla de letristas.

Ao mesmo tempo em que Ventura se orienta como o trabalho mais maduro da banda, o disco foi o responsável por trazer o grupo de volta ao mercado fonográfico, superando o fracasso de vendas do disco anterior. O disco também fez subir a participação do grupo tanto na questão de shows, quanto dentro dos meios de comunicação, intensificando o status do quarteto, que agora influenciava até mesmo na estética dos jovens, que partiam em busca de suas camisas listradas, calças xadrez, além das espessas barbas. O Los Hermanos deixava de ser apenas mais um grupo de rock, para se transformar no maior grupo musical da primeira década do século XXI.

Ventura (2003)

Nota: 10.0
Para quem gosta de: Marcelo Camelo, Little Joy e Móveis Coloniais de Acaju
Ouça: O Vencedor

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