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Pequenos Clássicos Modernos

Tulipa Ruiz
Brazilian/Female-Vocalists/Indie Pop
http://www.myspace.com/tuliparuiz

 

Por: Cleber Facchi

Qualquer um que via a Música Popular Brasileira (MPB) como uma “instituição” falida precisou rever seus conceitos ao se deparar com Efêmera (2010), debut da cantora paulistana Tulipa Ruiz, que assim como os trabalhos de Céu, Cérebro Eletrônico, Momo e outros novos nomes da música nacional deram uma repaginada nas velharias acústicas que há tempos assolavam a música pátria. Entre sabores empoeirados do passado e ritmos pop adocicados, Tulipa fez de sua estreia uma deliciosa viagem através de canções repletas de melancolia suave e paixonites cotidianas, através de uma heterogênea sequência de sons policromáticos.

Embora sua estreia se dê apenas em 2010, a sempre sorridente Ruiz há tempos temperava as noites paulistanas em participações nos shows de amigos como Tiê, Júnio Barreto e Cérebro Eletrônico, além, é claro, de suas próprias apresentações. Ao lado do pai Luiz Chagas e do irmão Gustavo Ruiz (que juntos integram também o projeto Pochete Set), Tulipa partiu em 2009 para a gravação de seu primeiro disco, em meio boas críticas de inúmeros jornalistas e produtores musicais com base em suas apresentações ao vivo.

Veio então Efêmera, e sem se deixar influenciar pela expectativa criada antes de seu lançamento, o trabalho acabou se evidenciando como uma das mais belas estreias da música nacional. Livre de excessos e fomentando a criação de melodias doces – em boa parte por conta dos vocais bem apurados de Tulipa, se dividindo entre a soul music, a MPB dos anos 70 e um “quê” de Carmen Mirânda contemporânea – o álbum é um típico produto para exportação, embora se encaixe precisamente na lacuna que há tempos esperava por uma grande (e nova) voz da nossa música.

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A pluralidade, instrumental e poética, que se desenvolve ao longo do álbum faz com que o disco siga ao mesmo tempo por inúmeros e um único caminho, várias vias que se encontram em um seguimento uno. Há desde composições voltadas exclusivamente aos saudosistas da velha MPB, (como a magistral abertura homônima, ou a sofisticada Do Amor, uma dessas pérolas atemporais) assim como o disco atende aos requisitos da nova geração de ouvintes. Desse segundo grupo pintam as fáceis As Vezes, A ordem das árvores e Só sei dançar com você, entregando todo o lado pop radiofônico de Ruiz e seus instrumentistas.

Premiado pela revista Rolling Stone Brasil com o melhor disco de 2010 (sem contar nas inúmeras menções e demais conquistas agregadas pela internet), Efêmera é um trabalho que a cada nova audição revela os inúmeros motivos de ter se transformado em uma das maiores coqueluches da música nacional. Seja quando a cantora brinca com sua voz, através das delicadas Pedrinho e Brocal Dourado, ou pela simples, porém bela instrumentação que vai preenchendo o álbum, tudo deixa a entender o disco como perfeito.

Ao lado de trabalhos como Feito Pra Acabar, de Marcelo Jeneci, Menti Pra Você de Karina Bhur, além de uma finidade de novos nomes e discos, Tulipa Ruiz trouxe aos plásticos sons dos anos 2000 uma sonoridade muito mais viva. Mesmo adornada pelo desnecessário rótulo de “pop florestal”, a cantora soube se apresentar aos arcaicos ouvintes da velha MPB de maneira a merecer todas as atenções, sem contar na nova geração de jovens ouvintes que tiveram inúmeros motivos para se interessar pela nova musica nacional.

Efêmera (2010)

Nota: 9.0
Para quem gosta de: Marcelo Jeneci, Karina Buhr e Tiê
Ouça: As vezes