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Pequenos Clássicos Modernos

Marcelo Camelo
Brazilian/Singer-Songwriter/Indie
http://www.myspace.com/marcelocamelo
http://www.marcelocamelo.com.br/

Por: Cleber Facchi

Quando em abril de 2007 o Los Hermanos entrou em seu famoso “recesso por tempo ilimitado” para que seus integrantes pudessem se envolver com novos projetos era só questão para que qualquer membro do quarteto assumisse a liderança e se lançasse em carreira solo. Assumindo a liderança (o que já era mais do que previsível) Marcelo Camelo sairia em 2008 com Sou, o primeiro registro do músico longe dos parceiros cariocas e uma simples constatação de que não tão cedo o grupo faria seu retorno.

Por mais que tentasse se distanciar de seu trabalho com a antiga banda, Sou (que dependendo do ponto de vista virava “Nós”, autoria do artista plástico Rodrigo Linares) acabava soando como uma clara continuação do que fora proposto pelo Los Hermanos em seu último disco de estúdio, o álbum 4 lançado em 2005. As melodias repletas de melancolia e pendendo para uma climatização totalmente acústica (com Camelo se entregando de vez à MPB e à Bossa Nova) tornavam-se ainda mais visíveis em seu debut solo, porém de maneira melhor organizada e estendendo suas musicalidades à todas as faixas do disco.

Entretanto, por mais que o álbum demonstre a figura solitária de Camelo como seu intérprete, o músico não desbrava as instrumentações em tom-pastel do disco de forma totalmente individualista, cercando-se de uma verdadeira orquestra de amigos e participações especiais que culminam por fim no belo resultado proporcionado pelo disco. Para dar sustento a maior parte das composições o grupo paulistano Hurtmold se desdobra de forma assertiva, inserindo minimalismos quase ocultos e nuances típicas do post-rock em uma linguagem branda e agradável, impedindo que o carioca se dissolva de forma simplista, como o disco a princípio parece ressaltar.

Ainda complementando o álbum, Camelo chama o sanfoneiro Dominguinhos para que este contribua com a faixa Liberdade. A canção – que já era conhecida do público apenas por uma versão demo que circulava pela internet – acabou ganhando um toque regionalista e compenetrado, dividindo-se entre as teclas do músico pernambucano e os acordes de violão do carioca. O disco conta ainda com a presença da musicista Clara Sverner, que contribui com as versões instrumentais de Saudade e Passeando, ambas conduzidas apenas à base de um piano.

Mas entre todas as participações, é a da então precoce Mallu Magalhães a que mais se sobressai. Em Janta, um lamento folk desenvolvido em forma de dueto, o casal destila versos hora cantados em inglês, hora em português, trocando posteriormente os mesmos trechos, transportando para à faixa para dentro de um universo romântico e quase pueril. A canção – posteriormente definida como melhor canção de 2008 pela revista Rolling Stone Brasil – serviu para dar maior destaque ao álbum, abrindo espaço para que outros petardos como Copacabana, Mais Tarde e Passeando pudessem ser descobertos.

Lançado através de uma parceria entre o selo Zé Pereira (de propriedade do próprio Camelo) e a Sony BMG, o disco conseguiu boa repercussão na mídia, embora muito mais pelo relacionamento entre o músico e a jovem Mallu Magalhães (ocasionado pela “polêmica” diferença entre idades), do que por seu conteúdo em si. O álbum, entretanto, consegue se desvincular de qualquer amarra relacionada aos antigos trabalhos do compositor, mostrando que Marcelo Camelo estava livre para percorrer os caminhos que bem entendesse.

Sou (2008)

Nota: 8.7
Para quem gosta de: Los Hermanos (da fase 4), Mallu Magalhães e Marcelo Jeneci
Ouça: Janta

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