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Pequenos Clássicos Modernos

Ludovic
Brazilian/Alternative Rock/Post-Punk
http://www.myspace.com/ludovicbr

Por: Cleber Facchi

Talvez nenhuma banda brasileira tenha composto um álbum tão sincero quanto o trabalho de estreia dos paulistanos do Ludovic em 2004. Amargurado pelas letras confessionais do vocalista Jair Neves, o disco transpira referências ao sujo rock alternativo dos anos 90, além de toques sublimes do Post-Punk do Joy Division e da influência assumida dos veteranos do rock independente nacional, os conterrâneos do Fellini.

O som e as letras reveladoras do grupo estão muito além da sonoridade pseudo-sentimental que se convencionou no rock da segunda metade dos anos 2000 através do emocore. As verdades, traumas e angústias berradas por Neves durante os mais de trinta minutos de duração do álbum não são meras desilusões de um adolescente em crise (embora até devam agradar esse tipo de jovem), mas sim gritos desesperados de um homem com barba na cara e que tem nos versos a única forma de exprimir seu sofrimento. Servil é a mostra de que mesmo o mais rude dos homens se dobra quando o assunto são os “problemas do coração”, embora a carga emocional do disco seja muito maior do que isso.

As letras das canções são quase um belo exercício de sadomasoquismo em que o compositor se entrega ao público por meio de faixas dolorosas como Você sempre terá alguém a seus pés, Repetição Insignificante, Mais um vexame para minha coleção ou em Vane,Vane,Vane. Contudo, ao término de cada faixa fica a visível sensação de alivio para ambos os lados, tanto para o letrista/interprete como para o ouvinte que acompanha agoniado a tudo aquilo. É como se cada canção viesse para atormentar e logo em seguida fosse suprimida.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=BMUzNK-3Eug]

Verdade seja dita, só há coerência nas canções e elas só funcionam de maneira perturbadora graças ao eficiente suporte sonoro de cada faixa. As guitarras nada polidas, remetendo claramente ao Sonic Youth e outras grandes nomes do noise rock do século passado funcionam como alavancas, para que as canções sejam arremessadas para dentro de um universo caótico próprio do Ludovic. O baixo seco e a bateria espancada culminam em um clima de tensão constante, do qual o ouvinte lentamente vai se identificando ao ponto de se questionar se as letras de Jair Neves não seriam na verdade inspiradas nele, mas sim em algum momento da vida do próprio ouvinte.

Porém nem tudo é agressividade em Servil. Faixas como Ombro a ombro e a já mencionada Mais um vexame para minha coleção entregam uma banda contida, que busca dar vida a faixas marcadas por acordes melancólicos e livres do peso que comanda as canções restantes.

O disco de estreia dos paulistanos acabou abrindo espaço para que o grupo fosse responsável por uma série de pequenos e grandes shows, onde o público, tomado pela energia das canções confessionais, gritava e chorava acompanhado do vocalista Neves. Dois anos depois o Ludovic daria vida ao seu segundo trabalho de estúdio, Idioma Morto (2006), dono de uma poesia e sonoridade tão singular quanto do disco de estreia, mas é por Servil que a banda deve ser sempre lembrada.

Servil (2004)

Nota: 9.0
Para quem gosta de: Violins, Dance Of Days e Polara
Ouça: Vane, Vane, Vane


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