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Resenha: “22, A Million”, Bon Iver

Artista: Bon Iver
Gênero: Indie, Folk, Experimental
Acesse: http://boniver.org/

 

A ambientação eletrônica aprimorada por Justin Vernon em Beth/Rest, faixa de encerramento do segundo álbum de estúdio do Bon Iver, lançado em 2011, está longe de parecer um exercício isolado dentro da curta discografia do músico de Wisconsin. Em 22, A Million (2016, Jagjaguwar), terceiro registro de inéditas do cantor e compositor norte-americano, cada composição presente no interior do disco se revela como uma detalhada continuação do mesmo arsenal de temas minimalistas, colagens e experimentos sintéticos originalmente testados pelo músico desde o EP Blood Bank, de 2009.

Produzido em um intervalo de quase quatro anos, o sucessor do elogiado disco de 2011, casa de músicas como Holocene e Calgary, mostra a fuga de Vernon de uma possível zona de conforto. No interior de cada composição, um imenso quebra-cabeça de referências, vozes maquiadas pelo uso de auto-tune, sintetizadores, melodias entristecidas, ruídos e samples que vão de um clássico vídeo de Stevie Nicks no Youtube, em 10 d E A T h b R E a s T, ao uso detalhado de pequenos retalhos instrumentais.

Como indicado logo na capa do registro, trabalho que conta com a produção assumida pelo artista gráfico Eric Timothy Carlson, 22, A Million é uma obra de fragmentos. São memórias, delírios, sussurros, medos e melodias planejadas de forma sempre instável. Partículas lentamente sobrepostas. Em entrevista, Carlson, que trabalhou ao lado de Vernon durante todo o processo de construção do disco, disse que pensou em um símbolo diferente para cada composição, sintetizando imagens, incorporando texturas visuais e números que dialogam com o processo de gravação da obra.

Longe de garantir uma resposta exata, seguindo um caminho oposto ao romantismo escancarado de For Emma, Forever Ago (2007), o presente álbum encanta pela incerteza. O canto pueril e os versos eletrônico em 22 (OVER S∞∞N), batidas quebradas em 10 d E A T h b R E a s T, experimentos com a voz e o saxofone de Colin Stetson em 21 M◊◊N WATER. Tal qual o clássico Kid-A (2000), do Radiohead, 22, A Million flutua em uma nuvem de sons e emanações oníricas, um trabalho imprevisível, como se cada faixa explorada por Vernon fosse o princípio de um novo registro.

Interessante notar que mesmo dentro desse ambiente instável, por vezes louco, Vernon ainda garante ao público uma sequência de músicas tecidas pela completa leveza dos versos. Difícil escapar da poesia intimista que cresce entre os ruídos eletrônicos de músicas como 33 “GOD” (“Por que você está tão longe de me salvar?”) e 8 (Circle) (“Estou debaixo de sua língua”). A mesma sutileza alcançada na composição de músicas como Skinny Love e Flume, porém, dissolvida de forma torta.

Feito para ser “desvendado”, 22, A Million oculta um mundo de detalhes que ultrapassam os limites da curiosa imagem de capa do disco. Melodias e vozes recortadas de outras composições – como Dsharpg, de Sharon Van Etten, em 33 “GOD” –; o uso de código binário no título das canções; a forte interferência de músicos vindos de diferentes projetos paralelos de Vernon – como Michael Lewis, do Gayngs, e o parceiro de selo, S. Carey. Um verdadeiro mosaico criativo, como se diferentes histórias, melodias e confissões fossem quebradas e remontadas de forma propositadamente imperfeita.

 

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22, A Million (2016, Relapse)

Nota: 9.3
Para quem gosta de: Volcano Choir, Fleet Foxes e Sufjan Stevens
Ouça: 22 (OVER S∞∞N), 33 “GOD” e 10 d E A T h b R E a s T


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