"A Banda de Joseph Tourton"

Ano: 2018
Selo: Independente
Gênero: Rock Alternativo, Pós-Rock
Para quem gosta de: Bixiga 70 e Macaco Bong
Ouça: TCB, Agrbloc e Sete
Nota: 8.0

Resenha: “A Banda de Joseph Tourton”, A Banda de Joseph Tourton

A força das canções continua sendo a principal marca do som produzido pelo grupo pernambucano A Banda de Joseph Tourton. Oito anos após o lançamento do primeiro álbum de estúdio do quarteto original do Recife, faixas como A Festa de Isaac, O Triunfo de Salomão e 16 minutos não apenas se projetam maiores a cada nova audição, como parecem servir de inspiração para o conjunto de nove músicas inéditas incorporadas ao segundo e mais recente álbum da banda.

Concebido sem pressa, entre as brechas dos projetos paralelos de seus integrantes — Diogo Guedes (guitarra, teclado e efeitos), Pedro Bandeira (bateria e efeitos), Rafael Gadelha (baixo) e Gabriel Izidoro (guitarra, teclado, flauta e escaleta) —, o trabalho finalizado somente no último ano parece pensado em totalidade, como se cada composição servisse de base para a canção seguinte. “Fizemos com bastante calma e tivemos a chance de experimentar vários sons até chegar ao resultado final“, explicou Izidoro em entrevista ao Diário de Pernambuco.

O resultado desse evidente esmero se revela no intrincado cruzamento de fórmulas instrumentais que parte sempre da crueza do rock para dialogar com outros campos da música — principalmente o jazz. Canções como a versátil Agrbloc. Pouco menos de três minutos em que o quarteto vai das paisagens instrumentais criadas pelo Tortoise à psicodelia eletrônica, brincando com a experiência do ouvinte. Frações instrumentais guiadas em essência pelas possibilidades dentro de estúdio.

Exemplo disso está na efêmera (e naturalmente intensa) Sete. Em um intervalo de apenas dois minutos, guitarras sujas esbarram em sintetizadores harmônicos de forma propositadamente irregular, criando pequenos respiros e explosões instrumentais que acompanham o ouvinte até o último acorde da canção. Uma criativa colagem de ideias que se revela ao público tão logo o trabalho tem início, na crescente TCB, música originalmente apresentada ao público em meados de 2016.

A principal diferença em relação ao elogiado debute do grupo está na inserção de metais orquestrados pelo músico Parrô Melo. Difícil não lembrar do trabalho produzido pelo coletivo paulistano Bixiga 70 — junto de Hurtmold, Cidadão Instigado e Kendrick Lamar, algumas das referências apontadas como substanciais para o fortalecimento do novo álbum. Um misto de funk, pós-rock, jazz e pop atmosférico que cresce em músicas como Afroganja e Joseph Jazz, essa última, um dos elementos de maior beleza do trabalho.

Livre de possíveis respiros, o álbum de apenas 35 minutos segue em um ritmo frenético até o último instante. Salve exceções, como em momentos específicos de Parque da Jaqueira, Jollo e a já citada Joseph Jazz, cada elemento do disco se conecta a outro, resultando em uma obra essencialmente dinâmica, rápida. Trata-se de um trabalho nascido da colisão de ideias e preferências vindas de cada integrante da banda, como se do material apresentado no álbum anterior, o grupo pernambucano fosse além.

 


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