"A Seat at The Table"

Ano: 2016
Selo: Saint / Columbia
Gênero: R&B, Soul
Para quem gosta de: Beyoncé e Blood Orange
Ouça: Don’t Touch My Hair e Cranes In The Sky
Nota: 8.5

Resenha: “A Seat at The Table”, Solange

Acompanhada de perto pelos produtores Dev Heynes (Blood Orange) e Ariel Rechtshaid (Haim, Sky Ferreira), além, claro, de um time seleto de instrumentistas e compositores, em 2012, Solange Knowles deu vida ao maduro True EP. Uma delicada seleção de sete faixas cuidadosamente polidas pela voz firme da cantora, pela primeira vez, livre de possíveis comparações ao trabalho da irmã mais velha, a cantora Beyoncé, e dona de uma verdadeira coleção de músicas essencialmente pegajosas como Losing You e Lovers on Parking Lot.

Quatro anos após o lançamento do elogiado registro, Knowles está de volta não apenas com um novo álbum de inéditas, mas com uma extensão aprimorada do mesmo material anteriormente testado em estúdio. Pouco mais de 20 canções — parte expressiva composta por vinhetas e interlúdios atrelados ao núcleo central da obra —, ponto de partida para o político A Seat at The Table (2016, Saint / Columbia), uma fuga declarada do som comercial anteriormente explorado nos iniciais Solo Star, de 2003, e Sol-Angel and the Hadley St. Dreams, lançado em 2008.

Feito para ser ouvido sem pressa, saboreado, efeito do imenso catálogo de referências instrumentais, fragmentos de vozes, personagens e depoimentos que surgem no interior da obra, o álbum, assim como Lemonade (2016), da irmã Beyoncé, nasce como um profundo diálogo de Knowles com a comunidade negra dos Estados Unidos. Entre arranjos minimalistas e melodias que dialogam com o R&B/Soul dos anos 1970, versos que escancaram a crueza do racismo (“Eu tentei mudar isso com o meu cabelo”) e a opressão sofrida diariamente pelas mulheres (“Pensei que um vestido novo melhoraria as coisas”).

Não toque no meu cabeloEles não entendem / O que isso significa para mim”, canta em Don’t Touch My Hair, uma delicada parceria com cantor e compositor britânico Sampha e um reflexo das pequenas agressões sofridas diariamente pelas mulheres negras dentro de qualquer ambiente machista e opressor. Um complemento poético ao interlúdio assumido pela mãe da cantora, Tina Lawson, minutos antes em Tina Taught Me, gravação que discute os privilégios dos brancos, o cômico discurso do “racismo reverso” e as conquistas do povo negro.

O mesmo conceito acaba se repetindo em outros instantes do trabalho. São diversos interlúdios – entre eles, Dad Was Mad, uma fala sobre o preconceito sofrido por Mathew Knowles, pai de Solange –, composições que se abrem para a interferência direta das rimas, caso de Mad, parceria com Lil Wayne, além de faixas dominadas pelo uso detalhista do canto, como Scales, parceria com a cantora Kelela. Nos clipes de Don’t Touch My Hair e Cranes In The Sky, um casting inteiro formado por artistas negros, como uma resposta à costumeira baixa representatividade por parte da indústria do entretenimento.

Claramente inspirado por uma série de obras recentes, como o debut da dupla franco-cubana Ibeyi, To Pimp a Butterfly (2015) de Kendrick Lamar, além do Freetown Sound (2016), último álbum Blood Orange, A Seat at The Table mostra a força criativa Knowles e do imenso time de colaboradores que acompanham a cantora durante toda a construção do disco. Nomes como André 3000, Sean Nicholas Savage, Devon Welsh (Majical Cloudz), David Longstreth (Dirty Projectors), Raphael Saadiq e Rostam Batmanglij (ex-Vampire Weekend), artistas responsáveis por ampliar o som produzido há quatro anos pela cantora nas canções de True.

 

 

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