"Adiante"

Ano: 2017
Selo: Sombrero Records
Gênero: Pop Rock, Indie Rock
Para quem gosta de: Vivendo do Ócio e O Terno
Ouça: Amarela e Melhorar
Nota: 8.0

Resenha: “Adiante”, Nevilton

Poucos artistas brasileiros parecem capazes de produzir um som tão honesto e certeiro quanto o paranaense Nevilton. Basta voltar os ouvidos para o imenso catálogo de faixas – sejam elas caseiras ou gravadas em estúdio –, que o cantor e compositor original de Umuarama, no Paraná, vem produzindo desde o fim da última década. Versos de amor, composições montadas a partir de memórias recentes, desilusões e temas existenciais que brilham de forma radiante nos dois primeiros álbuns de inéditas do músico, De Verdade (2011) e Sacode (2013).

Entregue ao público depois de um longo período de hiato que durou quatro anos, Adiante (2017, Sombrero Records), terceiro álbum de inéditas, mostra o esforço do guitarrista paranaense em explorar as pequenas repetições do cotidiano de forma naturalmente inventiva. Composições que mergulham nos encontros e desencontros de diferentes personagens (Lua e Sol, Flores), detalham versos esperançosos (Amarela) e a necessidade de sobreviver em meio ao caos diário (Adiante) enquanto guitarras rápidas convidam o ouvinte a dançar.

Felicidade que me andava tão distante / Num belo dia, veio aqui me procurar / E eu que não pensava em ir muito adiante / Vi que essa vida pode ir a algum lugar“, canta em Melhorar, música que parece sintetizar parte dos sentimentos e temas detalhados pelo artista no decorrer da obra. Uma faixa de essência agridoce, marcada pela dualidade dos acontecimentos que cercam o eu lírico. Ao fundo da canção, guitarras que se entregam ao que há de mais acessível no rock dos anos 1990, lembrando um encontro improvável entre Pavement e Skank.

Pegajoso, como tudo aquilo que Nevilton vem produzindo desde o EP Pressuposto, de 2010, Adiante segue como uma verdadeira fábrica de hits. Além da já citada Melhorar, difícil não ser arrastado por canções como Indiscutivelmente, um power-pop-grudento que emula a boa fase de gigantes dos anos 1970, principalmente Big Star, além do pop mágico de Doce de Jabuticaba, música adornada por guitarras que dialogam com a década de 1980. Uma seleção de faixas que prendem a atenção do ouvinte logo em uma primeira audição, vide o refrão descomplicado que cresce em Amarela — “Vai amanhecer de novo“.

Longe da euforia e guitarras explosivas, Nevilton ainda detalha uma coleção de faixas singelas, naturalmente acolhedoras. É o caso de Valsinha, música que lembra Belchior nos instantes de maior romantismo. Na já conhecida Sol e Lua, um pop rock nostálgico, empoeirado, como um passeio do músico paranaense pela Jovem Guarda, conceito reforçado no coro de vozes harmônicas que acompanham o músico durante construção dos versos — “Mas a distância / Que afasta a Lua do Sol / Só faz doer / mas tudo isso é normal“.

Completo pela presença dos músicos Tiago Lobão (baixo) e André Dea (bateria), Adiante ainda se abre para a chegada de um time de representantes do (novo) rock brasileiro. Estão lá Thadeu Meneghini (Vespas Mandarinas) e Jajá Cardoso (Vivendo do Ócio), na pulsante faixa-título, música que se conecta conceitualmente à derradeira Novo Começo; Esdras Nogueira (Ex-Móveis Coloniais de Acaju) e Marconi de Moraes na já citada Sol e Lua, além do latino Cesar Saez, parceiro de Nevilton na versão acústica do single de Amarela / Amanecerá. Interferências breves que reforçam a grandeza dos arranjos e versos durante toda a execução do trabalho.

 


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