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Resenha: “AIM”, M.I.A.

Artista: M.I.A.
Gênero: Hip-Hop, Rap, Pop
Acesse: http://www.miauk.com/

 

Em mais de uma década de carreira, M.I.A. acabou encontrando na pluralidade de ritmos e diferentes conceitos instrumentais a base para cada novo registro de inéditas. Versos políticos, batidas e arranjos extraídos de diversas partes do mundo em Arular (2005) e Kala (2007); os experimentos eletrônicos de ΛΛ Λ Y Λ (2010); o curioso diálogo entre a música árabe e o pop em Matangi (2013). Um imenso catálogo de referências que ainda serviu de base para a produção de dezenas de composições avulsas, mixtapes e obras colaborativas.

Com a chegada de AIM (2016, Interscope / Polydor), quinto (e talvez o último) álbum de estúdio da artista, cada música no interior do trabalho surge como um fragmento independente, isolado. Ideias que confirmam a completa versatilidade da rapper britânica – intensa do primeiro ao último instante da obra –, mas que acabam se perdendo no meio do caminho, como se cada composição apontasse para uma direção completamente distinta.

Inaugurado pelo peso político de Borders e as batidas de Go Off, uma das faixas mais dançantes já produzidas pela artista, AIM seduz logo nos primeiros minutos. Uma bem-sucedida sequência de batidas e rimas capazes de igualar a boa fase da artista no meio da década passada. Entretanto, à medida que o trabalho avança, M.I.A. e os produtores do disco parecem perdidos, confusos. Entre composições inéditas e músicas recicladas dos últimos singles da rapper, o álbum de 12 faixas – 17 na versão deluxe – sufoca pela completa instabilidade das canções.

Salve exceções, como Fly Pirate e A.M.P (All My People), esta última, música que conta com a produção dividida entre Skrillex e o brasileiro Léo Justi, são poucas as composições do disco que soam como um típico registro da rapper britânica. Do R&B dramático de Foreign Friend – música que poderia ser encontrada em qualquer álbum do canadense The Weeknd –, passando por Bird Song, até alcançar a pop Finally – quase uma sobra do último disco da Rihanna –, a todo minuto, M.I.A. tenta se encaixar em um universo do qual nunca fez parte.

Exemplo disso está na construção de Freedun. Parceria com o ex-One Direction Zayn Malik, a composição de base melódica e versos cíclicos soa como uma tentativa desesperada da rapper em dialogar com uma nova parcela do público. Uma canção de inegável apelo comercial, pegajosa, porém, corrompida pelo uso de versos, batidas e vozes eletrônicas que soam como uma versão simplificada de tudo aquilo que a rapper vem produzindo desde o começo da presente década.

Curioso perceber nas cinco composições que integram a edição deluxe do disco a verdadeira identidade e cuidado que falta ao restante do trabalho. Das batidas e rimas fortes que brotam no interior de Talk, passando pelo sample cuidadosamente esculpido de Swords, até o remix produzido pelo ex-parceiro Diplo, em Bird Song, M.I.A. entrega ao público uma verdadeira sequência de faixas comercialmente acessíveis e dinâmicas, porém, nunca de forma gratuita.

 

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AIM (2016, Interscope / Polydor)

Nota: 5.5
Para quem gosta de: Rihanna, Santigold e Brooke Candy
Ouça: Borders, Fly Pirate e A.M.P (All My People)


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