"All Nerve"

Ano: 2018
Selo: 4AD
Gênero: Indie Rock, Rock Alternativo
Para quem gosta de: PJ Harvey e Superchunk
Ouça: All Nerve e Nervous Mary
Nota: 7.5

Resenha: “All Nerve”, The Breeders

Perto de completar três décadas de carreira, incontestável é a força e contínuo refinamento em se tratando do som que vem sendo produzido pelo The Breeders. Sob o comando das irmãs Kim (voz, guitarra) e Kelley Deal (guitarra), a banda completa pelos músicos Josephine Wiggs (baixo, voz) e Jim Macpherson (bateria) parece longe de um possível tropeço, postura reforçada no quinto e mais recente álbum de inéditas do quarteto, All Nerve (2018, 4AD).

Como indicado no próprio título do trabalho, o registro de 11 faixas concentra na força das guitarras e parcial crueza dos versos um fino retrato da boa forma do grupo norte-americano. São pouco mais de 30 minutos em que cada elemento do disco assume uma função específica, como se Kim Deal e demais parceiros resgatassem parte das experiências detalhadas nos inaugurais Pod (1990) e Last Splash (1993), fazendo do álbum uma sequência direta ao material explorado no antecessor Mountain Battles (2008), lançado há dez anos.

Salve exceções, como a Spacewoman e a climática Dawn: Making an Effort, uma das canções mais sensíveis já compostas por Deal, All Nerve segue em uma estrutura rápida e certeira até o último segundo. Perceba como cada composição parece se conectar diretamente à faixa seguinte, fazendo da soma de guitarras ruidosas e vozes sobrepostas um precioso elemento de aproximação. De fato, poucas vezes antes um trabalho produzido pelo The Breeders pareceu tão coeso.

Do momento em que tem início, em Nervous Mary, passando por faixas como Wait In The Car, MetaGoth e até a mesmo na versão para Archangel’s Thunderbird, música originalmente composta pelo grupo germânico no clássico Yeti (1970), Deal e os parceiros em nenhum momento se distanciam de uma mesma massa de ruídos e temas instrumentais. Instantes de parcial recolhimento e explosão controlada que vão empurrando o ouvinte para a música seguinte, sonoridade que marca o trabalho da banda desde o primeiro álbum de estúdio.

Não por acaso, Deal decidiu trabalhar em estúdio com o parceiro de longa data Steve Albini. Colaborador em três álbuns produzidos pela banda, o artista que já trabalhou com nomes como Nirvana e Pixies, antigo projeto da guitarrista, faz com que All Nerve se espalhe em uma estrutura tão restrita quanto grandiosa. Composições que encolhem e crescem a todo instante, lembrando a mesma atmosfera claustrofóbica de obras como Rid of Me (1993), de PJ Harvey. Exemplo disso está em Howl at the Summit, música que se abre para a chegada da australiana Courtney Barnett, confessa adoradora do grupo.

Perfeita representação da segurança que move o trabalho do quarteto dentro de estúdio, o novo álbum não apenas rompe com o hiato de uma década do Breeders, como mostra que o projeto comandado por Kim Deal ainda tem muito a oferecer. Longe de prováveis “hits”, caso de Last Splash, Off You e demais composições naturalmente citadas pelo público fiel da banda, All Nerve encanta pela forte aproximação poética/instrumental, como um extenso ato a ser explorado pelo ouvinte.

 


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