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Resenha: “Amnesty (I)”, Crystal Castles

Artista: Crystal Castles
Gênero: Electronic, Experimental, Synthpop
Acesse:  http://www.crystalcastles.com/

 

Depois de oito anos como vocalista do Crystal Castles, conflitos com Ethan Kath fizeram com que Alice Glass deixasse o projeto em medos de 2014. Enquanto a cantora deu início a um novo trabalho em carreira solo, apresentando em setembro de 2015 a caótica Stillbirth, Kath decidiu seguir em frente com a banda. Em julho do mesmo ano, o produtor lançou a curiosa Deicide, um esboço para o material que seria entregue um ano mais tarde em Concrete, primeira canção em parceria com Edith Frances e a ponte para o quarto álbum de inéditas da (nova) dupla: Amnesty (I) (2016, Fiction / Casablanca).

Tal qual o primeiro registro do Crystal Castles, obra lançada em março de 2008, o presente álbum mostra a tentativa de Kath em organizar em estúdio. São composições que flertam com diferentes gêneros – vide a EDM na inaugural Femen –, músicas que dialogam de forma explícita com os primeiros inventos da banda – como em Concrete –, além de faixas que surgem como verdadeiras sobras do último registro de inéditas dos canadenses – semelhança explícita na derradeira Their Kindness Is Charade.

Com Frances nos vocais, Kath se concentra em brincar com os contrastes. Um bom exemplo disso está na construção de Sadist. Quinta faixa do disco, a canção dominada pelo uso de bases minimalistas, vozes brandas e ruídos sintéticos flutua entre a serenidade e a explosão. Em Fleece, segunda música do trabalho, uma reciclagem do mesmo conceito. Respiros breves que antecedem o caos, como se o casal desse voltas em torno de uma redundante fórmula instrumental.

Observado de forma atenta, a principal diferença entre Amnesty (I) e os três primeiros discos do Crystal Castles está na arquitetura simplista que sustenta o presente álbum. Pare por alguns minutos para ouvir músicas como Suffocation, Baptism, Crimewave ou Vanished e perceba como as texturas eletrônicas, vozes e constantes alterações nas batidas crescem com delicadeza ao fundo de cada canção. Ainda que músicas como Enth e Sadist encantem pelo detalhismo, em nenhum momento do disco é possível perceber o mesmo cuidado por parte de Kath.

Longe de parecer o início de uma nova fase dentro da carreira da banda, Amnesty (I) acaba sufocando pela forte similaridade com os antigos registro da parceria entre Glass e Kath. Difícil não lembrar da cantora quando o próprio produtor se concentra em replicar os mesmos efeitos e maquiagens eletrônicas na voz de Frances em músicas como Char.

Sem necessariamente entrar no mérito da relevância de Glass como integrante da banda, o grande tropeço da obra acaba ficando por conta de Kath. Mesmo nos instantes em que o produtor surge “solitário”, – caso de Ornament e Femen, música que conta com samples de Smells Like Teen Spirit pelo coral Scala & Kolacny Brothers –, evidente é a ausência de inovação na construção das canções, como se o artista fosse incapaz de ir além da seleção de obras produzidas nos últimos anos. Da letra submersa que se esconde entre os sintetizadores de Char ao grito sujo de Fleece, tudo soa como uma cópia do Crystal Castles pelo próprio Crystal Castles.

 

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Amnesty (I) (2016, Fiction / Casablanca)

Nota: 6.0
Para quem gosta de: Purity Ring, Grimes e Arca
Ouça: Char, Fleece e Sadist

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