"Amor é Isso"

Ano: 2018
Selo: Som Livre
Gênero: Rock, MPB
Para quem gosta de: Roberto Carlos e Odair José
Ouça: Termos e Condições e Amor é isso
Nota: 8.0

Resenha: “Amor é Isso”, Erasmo Carlos

Dono de uma extensa discografia, parte expressiva dela concentrada entre o final dos anos 1960 e início da década seguinte, de tempos em tempos, Erasmo Carlos reaparece com um ou vários registros de merecido destaque. Foi assim com a sequência formada por Mulher (1981), Amar pra Viver ou Morrer de Amor (1982) e Buraco Negro (1984), no começo dos anos 1980, além da recente dobradinha composta por Rock ‘N’ Roll (2009) e Sexo (2011), obras responsáveis por apresentar o trabalho do cantor a toda uma nova geração de ouvintes.

Contido quando próximo do material apresentado há quatro anos, em Gigante Gentil (2014), o recente Amor é isso (2018, Som Livre), 31º álbum de estúdio do cantor carioca, é uma dessas preciosidades na carreira do Tremendão. De essência romântica, o trabalho que conta com produção assinada por Pupillo (Nação Zumbi) e direção artística de Marcus Preto se espalha vagaroso, sussurrando versos guiados pelo romantismo agridoce de seu realizador.

Houve um tempo em que eu morava com minha tristeza / Era amigo e confidente das manhãs sem sol / Prisioneiro de mim mesmo, sem poder fugir / De repente o infinito de uma coisa boa / Começou devagarinho a orbitar em mim“, canta logo nos primeiros minutos do disco, em Convite para Nascer de Novo, um ato de profunda libertação (“E ganhei um universo pra chamar de céu“) e sensibilidade que orienta parte da estrutura poética do disco. Canções ancoradas em pequenas confissões, conflitos e, principalmente, a emoção em torno da redescoberta do amor.

Composta em parceria com Marisa Monte e Dadi Carvalho, a faixa de abertura do disco é apenas o princípio de toda uma sequência de colaborações e músicas assinadas por diferentes artistas, como Adriana Calcanhotto (Sem Sim), Nando Reis (Minha Âncora) e Arnaldo Antunes (Parece Que Foi Hoje). Músicas como Novo Love, adaptação, em português, de New Love, uma das poucas criações de Tim Maia para a língua inglesa; o som leve e ensolarado de Sol da Barra, originalmente composta por Marcelo Camelo, além da entristecida Não Existe Saudade no Cosmos, faixa que se entrega ao choro na poesia honesta de Teago Oliveira (Maglore).

Próxima e, ao mesmo tempo, distante do núcleo central da álbum, Termos e Condições, terceira faixa do disco, preserva a essência romântica do restante da obra, porém, se aprofunda na temática dos relacionamentos digitais e a frieza reforçada pelas redes sociais. “Notebooks e faces / Truques e jeitos / ‘Putz, o tempo passou!’ / A gente curte e deixa / Surte efeito / Surge sempre a dor“, canta enquanto abre passagem para as rimas do rapper Emicida, co-autor da faixa: “Se já estamos em frangalhos, em destroços / E agora a inteligência artificial piora tudo / E doma sentimentos nossos, tão nossos / Em cliques, cliques, cliques“.

Para além de um registro conceitual ou possível reflexo intimista da alma de Erasmo Carlos, Amar É Isso cresce como uma obra que se permite completar pelas experiências românticas do público, como fragmentos poéticos guiados pelo aspecto universal dos temas e experiências detalhadas pelo cantor. Não por acaso, a edição física do disco vem acompanhada de um lápis para que o próprio ouvinte complete a frase na capa em branco apontada como título do trabalho.

 


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