"Async"

Ryuichi Sakamoto

Ano: 2017
Selo: Milan
Gênero: Experimental, Ambient
Para quem gosta de: Brian Eno, Oneohtrix Point Never
Ouça: Solari, Async
Nota: 8.0

Resenha: “Async”, Ryuichi Sakamoto

Você pode não reconhecer Ryuichi Sakamoto pelo nome, entretanto, provavelmente já deve ter sido impactado por algum trabalho do compositor japonês, também integrante do coletivo Yellow Magic Orchestra. Basta uma rápida passagem pela coletânea recente Music For Film (2016) para perceber a força do som produzido pelo músico oriental em diferentes obras do cinema hollywoodiano. Trabalhos como a trilha sonora de O Último Imperador (1987) ou mesmo o premiado O Regresso (2015).

Em Async (2017, Milan), primeiro registro em carreira solo produzido nos últimos oito anos, Sakamoto continua a se reinventar dentro de estúdio. Curioso, o trabalho de 14 faixas flutua em meio a temas ambientais sem necessariamente parecer redundante, fazendo de cada ato no interior do registro um momento específico. Pouco mais de 60 minutos de duração em que o músico japonês conforta, provoca e bagunça a percepção do ouvinte, convidado a provar de diferentes sonoridades a cada nova curva do disco.

Dividido entre instantes de maior serenidade e atos marcados pela experimentação, Sakamoto faz de Async um registro propositadamente instável. Tendo como ponto de partida os pianos atmosféricos do álbum, o músico japonês brinca com a própria trajetória, detalhando instantes de pura comoção, vide a inaugural Andata, e músicas marcadas pela constante transformação dos arranjos, conceito absorvido de forma curiosa na eletroacústica Solari, terceira faixa do trabalho.

Provocativo, Async segue o caminho oposto em relação a exemplares recentes da ambient music, como Reflection (2017), de Brian Eno. Longe da homogeneidade dos temas, Sakamoto faz do presente disco uma obra de possibilidades. Instantes em que o compositor japonês navega pelo minimalismo de ZURE, passa pela captação atmosférica e samples de Walker, até alcançar os sintetizadores de Stakra, música que poderia facilmente ser encontrada em qualquer registro do Oneohtrix Point Never.

À medida que o trabalho avança, Sakamoto se concentra na busca de novos atos de puro experimento. Em Fullmoon, oitava faixa do disco, versos declamados que refletem sobre a morte servem de passagem para uma avalanche de ruídos. Na faixa-título do álbum, um som caótico, como a desconstrução de toda a essência instrumental do trabalho. Em Tri, o minimalismo dos sinos antecede a colisão de ruídos e fórmulas ambientais que ainda servem de estímulo para a dense Life, Life, música que reforça o aspecto climático da obra.

Resultado do parcial isolamento de Sakamoto – desde 2014 o compositor japonês vem lutando contra um câncer na garganta –, Async mostra a capacidade do artista em se reinventar mesmo três décadas após o lançamento do primeiro trabalho em carreira solo. Ruídos minimalistas, frações instrumentais, temas orquestrais e sintetizadores. Pequenas rupturas que fazem do presente álbum um novo capítulo dentro da extensa discografia do músico.

 

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