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Resenha: “Autodrama”, Puro Instinct

Artista: Puro Instinct
Gênero: Synthpop, Dream Pop, Alternative
Acesse: https://www.facebook.com/puroinstinct/

 

Cinco anos. Esse é o tempo que as irmãs Piper e Sky Kaplan levaram para finalizar o nostálgico Autodrama (2016, Manifesto). Segundo álbum de estúdio da dupla como Puro Instinct, o registro de apenas 10 faixas parece seguir um caminho parcialmente distinto em relação ao antecessor Headbangers In Ecstacy, de 2011. Longe dos temas psicodélicos e da explícita influência de Ariel Pink, colaborador em grande parte do trabalho, são os sintetizadores e referências dançantes que indicam a nova direção assumida pelo duo californiano.

Entregue em pequenas doses, o trabalho teve grande parte das faixas apresentadas ao público nos últimos meses. Composições como as já conhecidas Tell Me, Peccavi e What You See que serviram para indicar a base dançante que abastece o disco. Entretanto, sobrevive está audição fechada do registro, faixa após faixa, o grande charme do segundo registro de inéditas da dupla. Canções que partilham da mesma base instrumental, mergulhando em arranjos e elementos típicos da década de 1980.  

Comercialmente bem resolvido, Autodrama se apoia no uso de versos fáceis, guitarras e sintetizadores dançantes, além de sentimentos e confissões românticas capazes de dialogar com qualquer indivíduo. Da mesma forma que o duo nova-iorquino Chairlift em Something (2012) ou a dupla sueca Niki and the Dove no ainda recente Everybody’s Heart Is Broken Now (2016), cada faixa do presente disco se projeta de forma a emular temas e referências radiofônicas originalmente apresentadas há mais de três décadas.

Em um sentido oposto ao material letárgico apresentado há seis anos, trabalho em que as irmãs Kaplan pareciam flutuar em uma nuvem de sons enevoados, Autodrama mantém os dois pés bem fixos no chão. De fato, grande parte do registro parece pensado para funcionar em qualquer pista. Batidas e vozes que tanto dialogam com o trabalho de artistas recentes – caso de Sky Ferreira e Twin Shadow –, como resgatam a essência de veteranos do synthpop norte-americano.

O melhor talvez seja perceber como cada canção ao longo do disco serve de estímulo para a faixa seguinte. Da abertura crescente em Panarchy, faixa que remete ao trabalho do M83, passando pelos hits Peccavi e Tell Me, inspiradas pela obra de Madonna, é difícil não ser arrastado pelo cuidadoso jogo de vozes e batidas abafadas que acompanham a dupla. Mesmo a densa End of an Era, oitava faixa do disco, parecem capaz de manter a atenção do ouvinte em alta, contribuindo para o rico catálogo do álbum.

Ponto de partida para uma nova fase dentro da carreira do Puro Instinct, Autodrama talvez seja a melhor forma ser apresentado o trabalho da dupla norte-americana. Livre de grande parte dos excessos que marcam o primeiro álbum de estúdio da banda, com o novo disco, Piper e Sky Kaplan finalizam uma obra segura, essencialmente cosa, como se cada composição presente no disco tivesse uma função específica.

 

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Autodrama (2016, Manifesto)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Niki and The Dove, Frankie Rose e Still Corners
Ouça: Peccavi, Tell Me e End of an Era