"AZD"

Ano: 2017
Selo: Ninja Tune
Gênero: Eletrônica, Experimental
Para quem gosta de: Andy Stott, Laurel Halo
Ouça: X22RME, Dancing In The Smoke
Nota: 8.0

Resenha: “AZD”, Actress

Quem esperava por uma possível continuação do som experimental produzido em R.I.P. (2012) acabou encontrando em Ghettoville (2014) uma obra de ruptura. Livre da ambientação urbana que movimenta o terceiro álbum de estúdio de Darren J. Cunningham como Actress, o trabalho apresentado há três anos fez do uso de temas atmosféricos a base para cada uma das 16 composições do artista. Um trabalho propositadamente sereno, conceito derrubado nas canções do intenso AZD (2017, Ninja Tune).

Livre do minimalismo que marca as canções do último registro de inéditas do produtor inglês, o trabalho de 12 faixas e pouco mais de 50 minutos de duração flutua por entre temas sem necessariamente fixar residência em um gênero ou conceito específico. Como indicado logo na dobradinha formada por Nimbus e Untitled 7, Cunningham parece brincar com as referências, costurando diferentes décadas e possibilidades dentro de estúdio.

Dançante, porém, ainda íntimo da ambientação complexa detalhada em Splazsh (2010), Cunningham faz de cada faixa ao longo do disco um curioso experimento. Um bom exemplo disso está em Fantasynth, terceira música do disco. Enquanto as batidas parecem arrastar o ouvinte para as pistas, sintetizadores sujos e samples invadem o interior da canção, detalhando um material sufocante, estímulo para a para a chegada de Blue Window, música que parece resgatada do rico acervo apresentado em R.I.P.

Na dobradinha formada por CYN e X22RME, duas representações do esmero de Cunningham na composição das batidas e escolha dos samples. Perceba como ruídos metálicos e vozes se esbarram de forma caótica, conceito que invade o mesmo território urbano de William Bevan em grande parte da discografia do Burial. Um cuidado que segue até a nostálgica Runner, música que flerta com a eletrônica produzida nos anos 1990 sem necessariamente perder a essência do Actress.

Em Falling Rizlas, um respiro breve que antecede a porção mais intensa da obra. Um verdadeiro aquecimento para a explosão de ruídos, batidas tortas e interferências que cresce de forma instável em Dancing In The Smoke, invade a experimental Faure In Chrome, com seus ruídos e ambientações metálicas, e segue de maneira curiosa até a extensa There’s An Angel In The Shower. Uma verdadeira coleção de ideias e possibilidades, como um resumo inevitável do material produzido para o disco.

Para o encerramento do álbum, Cunningham reserva ao público a intensa Visa. São pouco mais de quatro minutos de duração em que o produtor inglês brinca com as batidas, uso atípico dos sintetizadores, samples e sobreposições eletrônicas. Um verdadeiro labirinto instrumental, como se diferentes fragmentos do som produzido para as canções de AZD fossem remontados de forma caótica, resultando em uma criativa colisão de ideias e referências sempre particulares.

 

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