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Resenha: “Biohack Banana”, Psilosamples

Artista: Psilosamples
Gênero: Electronic, Techno, IDM
Acesse: https://psilosamples.bandcamp.com/

 

A mudança para a cidade de São Paulo parece ter impactado diretamente nas composições assinadas pelo produtor Zé Rolê em Biohack Banana (2016, UIVO Records). Original da cidade de Pouso Alegre, interior de Minas Gerais, o artista responsável pelos experimentos e sobreposições delicadas do Psilosamples revela uma nova postura em relação ao trabalho apresentado há quatro anos. Um pequeno acervo de faixas que evidenciam a fuga do som colorido que se espalha entre as canções do antecessor Mental Surf (2012).

Primeiro grande trabalho do produtor mineiro desde o EP Cobra Coral, de 2015, o novo álbum sustenta nas batidas o grande destaque da obra de Rolê. São mosaicos eletrônicos construídos a partir de fragmentos minimalistas, quebras, costuras e pequenas alterações rítmicas. A curiosa sensação de adentrar um imenso labirinto eletrônico, onde cada curva do registro apresenta ao ouvinte um espaço completamente novo, reformulado, conceito explícito logo na inaugural faixa-título.

Parcialmente distante do rico catálogo de samples e ritmos regionais que abasteceram o disco entregue há quatro anos – vide músicas como Ovelha Negra e Bom Dia Menina Pelada –, Rolê encara Biohack Banana como uma obra fechada, como se cada canção fizesse parte de um mesmo conjunto de ideias. “Começo a compor como uma história. As músicas vão fluindo como mantra e muitas vezes interagindo com diversos tipos de sonoridades, da música popular à eletroacústica”, explicou em entrevista ao site Music Non Stop.

O resultado dessa transformação está na produção de um registro homogêneo, por vezes contido, mas não menos inventivo. Um bom exemplo disso está na montagem de Copo de Leite Hortelã Pimenta, terceira música do disco. Entre sintetizadores tortos e melodias abstratas, a contida adaptação de diferentes ritmos tipicamente brasileiros, como se Zé Rolê provasse dos mesmos experimentos testados por artistas como Hrvatski, Four Tet e outros nomes de peso da eletrônica estrangeira.

Em Pineal Futebol Clube Fx, quarta faixa do trabalho, um mundo de detalhes e amarras instrumentais que parecem dançar na cabeça do ouvinte. Pouco mais de três minutos em que o produtor mineiro joga com a interpretação do ouvinte, detalhando as batidas de forma hipnótica. Sobram ainda instantes de maior leveza, como as duas metades de Psykhé: Audio Massagens, dobradinha em que Rolê esbarra nas ambientações minimalistas de Aphex Twin, resgatando parte do conceito versátil incorporado nas canções de Mental Surf.

Frágil, Biohack Banana funciona como uma delicada passagem para as pistas de dança. São instantes de leve descompromisso, ambientações que evidenciam a essência “rural” do produtor e todo um conjunto de ideias que se movimentam sem pressa no interior do trabalho. Pouco menos de 40 minutos, tempo de duração da obra, em que Psilosamples faz a mente do ouvinte viajar, flutuando entre as cores cinzas de qualquer centro urbano e as paisagens bucólicas do interior.

 

Biohack Banana (2016, UIVO Records)

Nota: 8.5
Para quem gosta de: M. Takara, Nuven e Barulhista
Ouça: Pineal Futebol Clube Fx, Biohack Banana e Psykhé: Audio Massagens 1

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