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Resenha: “Blank Face LP”, ScHoolboy Q

Artista: ScHoolboy Q
Gênero: Hip-Hop, Rap, Gangsta Rap
Acesse: http://www.schoolboyq.com/

 

Vozes e batidas flutuam em uma nuvem de sons psicodélicos. Fragmentos e samples esquecidos da música negra na década de 1970 servem de base para um conjunto de versos marcados por excessos, drogas, racismo e criminalidade. Em Blank Face LP (2016, Top Dawg / Interscope), quarto álbum de estúdio de ScHoolboy Q e segundo trabalho dentro de uma grande gravadora, todos os elementos explorados há cinco anos no inaugural Setbacks (2011) são mais uma vez apresentados ao público, porém, de forma remodelada, como uma reinterpretação da própria essência.

Trabalho em que o time de parceiros do rapper é ampliado consideravelmente, o registro de 17 faixas e mais de 70 minutos de duração se abre para a interferência de artistas como Kanye West (THat Part), Vince Staples (Ride Out), Anderson .Paak (Blank Face), Tyler, The Creator (Big Body) e The Alchemist (Kno Ya Wrong). São produtores, músicos e conterrâneos da cena californiana que tanto assumem uma posição de destaque na construção dos temas instrumentais, quanto na formação das rimas que se espalham pelo interior do álbum.

Tamanha interferência faz de Blank Face LP o trabalho mais versátil de toda a discografia de ScHoolboy Q. Samples nostálgicos encontram o mesmo clima do Hip-Hop na década de 1990, arranjos instrumentais esbarram em bases eletrônicas marcadas pela frieza. A julgar pelo imenso mosaico de ideias, temas e conceitos musicais que sustentam o trabalho, Q faz do presente álbum uma perfeita desconstrução do som homogêneo que marca o antecessor Oxymoron (2014), resgatando a mesma carga de referências incorporadas em Habits & Contradictions, de 2012.

Ao mesmo tempo em que brinca com as possibilidades, o rapper sustenta na poesia urbana do trabalho o elemento de conexão entre grande parte das composições. Como indicado durante o lançamento de Groovy Tony / Eddie Kane, primeiro single do disco, Q utiliza de personagens fictícios e diferentes acontecimentos que marcaram a comunidade negra dos Estados Unidos para desenvolver pequenos paralelos com a própria carreira. Canções sufocadas pelo uso excessivo de drogas, sexo, assassinatos e até o exorcismo de pequenos demônios interiores.

Um bom exemplo disso está em Dope Dealer. Nona canção do disco, a faixa lançada em parceria com E-40 descreve de forma precisa o cotidiano do trafico de drogas nas ruas de Los Angeles. Embates entre gangues, a perseguição da polícia, o encontro com viciados e, principalmente, a exaltação ao dinheiro marcam os pouco mais de três minutos da canção. Peça fundamental do disco, a música acaba servindo de base para outras composições no decorrer do trabalho. É o caso de Ride Out, parceria com Vince Staples e uma visão crua do universo das gangues.

Entre versos densos e essencialmente descritivos, como uma narrativa insana, seus personagens ambíguos e ambientações tortas, ScHoolboy Q faz de Blank Face LP uma espécie de documento musicado. Salve exceções, como a romântica WHateva U Want, parceria com Candice Pillay, todas as composiçnoes se amarram de forma cuidadosa, revelando ao público um catálogo de temas tão complexos, agressivos e realistas que até parecem tingidos pela ficção.

 

Blank Face LP (2016, Top Dawg / Interscope)

Nota: 8.5
Para quem gosta de: Kendrick Lamar, Ab-Soul e Anderson .Paak
Ouça: THat Part, Groovy Tony / Eddie Kane e Dope Dealer


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