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Resenha: “Cabeça de Felipe”, Felipe S.

Artista: Felipe S.
Gênero: Indie, Alternativo, Experimental
Acesse: http://www.joiamoderna.com.br/

 

Mais conhecido pelo trabalho como vocalista da banda pernambucana Mombojó, Felipe S. passou os últimos dez anos pulando de um projeto para outro, sempre de forma curiosa, inventiva. O resultado desse permanente processo de mudança está na construção de coletivos como o Del Rey, centrado em reinterpretar a obra de Roberto Carlos, além de trabalhos assinados em parceria com artistas como Vitor Araújo, A Banda de Joseph Tourton e a francesa Lætitia Sadier (Stereolab).

Em Cabeça de Felipe (2017, Joia Moderna), primeiro registro em carreira solo do músico pernambucano, um espaço aberto à novidade. Produzido de forma caseira, em um estúdio montado pelo músico dentro do próprio apartamento, o trabalho de dez faixas se espalha em meio a experimentos controlados (Anedota Yanomami), sambas explorados de forma introspectiva (Santo Forte) e composições sufocadas pelo amor (Sabe Quando). Um passagem direta para a mente do próprio compositor.

Com título inspirado em uma pintura produzida em 1987 pelo artista plástico Maurício Silva, pai do cantor, Cabeça de Felipe joga diretamente com a colorida imagem assinada pelo pintor pernambucano. Longe de parecer um registro hermético, cada composição se articula de forma independente, transportando o ouvinte para dentro de um cenário marcado pela incerteza. A mesma ruptura assumida pelo artista no último álbum de inéditas das Mombojó, o explosivo Alexandre (2014).

Montado a partir de diversas colagens minimalistas, ritmos brasileiros e vozes picotadas que indicam a interferência de diferentes artistas, a estreia de Felipe S. segue em um ritmo próprio. Instantes em que o músico pernambucano convida o ouvinte a dançar (Santo Forte), para logo em seguida mergulhar em um cenário dominado pela leveza das melodias (Da Capoeira Pro Samba) ou mesmo ruídos eletrônicos (Nova Bandeira) que poderiam facilmente ser encontrados em qualquer trabalho da Mombojó.

Tamanha “irregularidade” e busca por diferentes arranjos acaba fazendo de Cabeça de Felipe uma obra propositadamente confusa, pessoal em excesso. “São canções que me remetem à praia, à natureza. Me parece ser um trabalho que combina com a ideia de ser ouvido ao dirigir pela estrada”, explicou em entrevista ao Estadão. Fragmentos e ideias desvendadas em essência apenas pelo músico pernambucano, do título aos versos, encarado como o personagem central do registro.

Repleto de participações especiais — seja no processo de composição, como nos instrumentos e vozes gravados para o disco —, a estreia de Felipe S. ainda se abre para a chegada de um time de convidados. Colaboradores de longa data, caso dos músicos China, Tibério Azul e Vitor Araújo, além de nomes como a atriz Juliana Didone, dona da voz de suporte em Tigre Palhaço, e Ana Maria Maia, mulher do cantor e parceira nos versos de Trovador. Personagens e referências que há tempos habitam a cabeça de Felipe.

 

Cabeça de Felipe (2017, Joia Moderna)

Nota: 7.7
Para quem gosta de: Mombojó, Mundo Livre S/A e Wado
Ouça: Da Capoeira pro Samba, Santo Forte e Sabe Quando

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