"Caer"

Ano: 2018
Selo: WMG
Gênero: Synthpop, Pop
Para quem gosta de: Blood Orange e Twin Shadow
Ouça: Saturdays e Little Woman
Nota: 4.5

Resenha: “Caer”, Twin Shadow

Em algum momento entre Confess (2012), segundo álbum de estúdio como Twin Shadow, e o sucessor Eclipse (2015), George Lewis Jr. começou a se perder. Seja pela pressão em estar dentro de uma grande gravadora, a Warner Music Group, ou pela própria incapacidade em se renovar dentro de estúdio, um coisa é certa: desde a estreia com Forget (2010), o artista de origem dominicana continua dando voltas dentro de um mesmo universo conceitual.

São canções ancoradas de forma explícita no pop-rock da década de 1980. Porém, onde antes brotavam referências ao trabalho de Prince, Sisters of Mercy e Tears For Fears, como em toda a sequência de faixas montadas para os dois primeiros trabalhos de estúdio, hoje ecoam melodias empoeiradas, emulando o que há de mais tenebroso (e pouco inventivo) dentro da extensa discografia do U2 e outros veteranos da época, ponto de partida para o recém-lançado Caer (2018, WMG).

Confessional, como tudo aquilo que Twin Shadow vem produzindo desde o primeiro registro de inéditas, faixa após faixa, Lewis Jr. se entrega ao uso de pequenos clichês românticos, músicas ancoradas em um passado ainda recente, desilusões e medos. Um reciclar de velhas experiências que segue desde a inaugural Brace, e vai até a derradeira Bombs Away (RLP), um synthpop minimalista que se abre para os versos declamados.

A principal diferença em relação aos últimos trabalhos do músico, principalmente o antecessor, Eclipse, está na forma como Twin Shadow dialoga com um time seleto de artistas. São colaborações como Sympathy, com Rainsford, além, claro, do reencontro com as meninas do HAIM, em Saturdays, possivelmente a melhor composição do disco e uma clara continuação da parceria em Ready for You, lançada em Something to Tell You (2017).

Dos momentos em que desfila solitário pelo disco, Lewis Jr. se divide entre a repetição e o parcial desejo de mudança. Exemplo disso está no som minucioso de Little Woman, faixa em que a voz corre sem pressa em meio a efeitos e temas orquestrais, esbarrando em experimentos improváveis. Surgem ainda músicas como a improvável Too Many Colours, composição em que se entrega ao pop, lembrando a boa fase de David Bowie no começo dos anos 1980.

O problema de Caer é que mesmo nos instantes de breve acerto, há pouca novidade em relação discos que o antecedem, tornando a audição do trabalho tediosa, repetitiva. Ideias que mais parecem versos e melodias recicladas dos antigos projetos de Twin Shadow, principalmente de Eclipse. Uma sensação de dar voltas em torno de um registro não apenas se revela de forma arrastada, como comete o maior dos erros de um produto audiovisual: o de ser completamente esquecível.