"Clean"

Soccer Mommy

Ano: 2018
Selo: Fat Possum
Gênero: Indie Rock, Bedroom Pop
Para quem gosta de: Speedy Ortiz, Mitski e Frankie Cosmos
Ouça: Your Dog, Skin e Last Girl
Nota: 8.0

Resenha: “Clean”, Soccer Mommy

Sophie Allison é claramente um produto de seu tempo. Nascida em meio a transição entre o mundo analógico para o digital, a cantora que vivenciou a adolescência no início dos anos 2000 parece trazer para dentro do primeiro álbum de estúdio do Soccer Mommy, Clean (2018, Fat Possum), parte expressiva desse vasto universo de experiências. Ideias, temas e sonoridades que sutilmente apontam para o passado, porém, em nenhum momento se deixam guiar por um fascínio nostálgico e piegas.

Imersa em uma atmosfera caseira, típica de qualquer outro exemplar recente do badroom pop, a cantora sutilmente se afasta de outros exemplares do gênero, efeito direto forte apelo melódico que serve de base para grande parte canções. Parte expressiva desse resultado vem da forte relação de Allison com diferentes exemplares do pop rock produzido na virada do século. Trabalhos como o já citado Under My Skin (2004), segundo álbum de estúdio da canadense Avril Lavigne e uma confessa referência para as canções da guitarrista.

Entretanto, isso não quer dizer que Allison pareça distante de outros representantes da música atual. Basta uma rápida passagem por composições como Your Dog e Cool para perceber a forte similaridade de Soccer Mommy com o trabalho de Frankie Cosmos, Girlpool e, principalmente, Mitski, parceira de palco e uma das fontes criativas mais relevantes para o trabalho da jovem musicista. Mesmo a gigante Taylor Swift é frequentemente citada pela artista como uma de suas maiores inspirações.

Dentro desse microcosmo de experiências tão particulares quanto íntimos de qualquer ouvinte da mesma idade, Allison entrega ao público uma obra guiada em essência pelas emoções. Produzido em parceria com Gabe Wax (sintetizadores, pianos, guitarra) e completo pela presença dos músicos Julian Powell (guitarra) Nick Brown (bateria), Clean delicadamente convida o ouvinte a se perder em um universo de sensações e temas dolorosamente refinados pela musicista.

Perfeita continuação do material que vem sendo apresentado por Allison nos últimos registros autorais, principalmente os EPs For Young Hearts (2016) e Collection (2017), o álbum de dez faixas ganha forma aos poucos, fazendo do canto agridoce e poesia confessional da artista a linha que costura todo o trabalho. Canções que passeiam por relacionamentos instáveis, questionamentos existencialistas e dolorosos, além, claro, de versos que refletem a passagem para a vida adulta e o poder do feminino.

Em um intervalo de apenas 30 minutos, faixas como Skin, Last Girl e todo o repertório montado para o disco parecem transportar o ouvinte para diferentes campos emocionais, lembrando o trabalho de Julien Baker, em Turn Out the Lights, e Vagabon, no ótimo Infinite Worlds, ambos de 2017. Um convite a provar do som intimista e todas as experiências deliciosamente partilhadas por Soccer Momy, como se mesmo na construção honesta dos primeiros registros autorais, Allison fosse capaz de ir além, presenteando o ouvinte com rico catálogo de novas experiências.

 


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