"Conexão"

Ano: 2018
Selo: PMR / Virgin EMI
Gênero: Soul, Pop, R&B
Para quem gosta de: Ravyn Lenae e Jorja Smith
Ouça: Love Me Right e Conexão
Nota: 8.0

Resenha: “Conexão”, Amber Mark

Em um intervalo de poucos meses, Amber Mark foi de uma personagem desconhecida da cena nova-iorquina, para uma das vozes mais requisitadas do novo pop/R&B. Da parceria com o produtor britânico Wilma Archer, em Like a Hunger, passando pelo bem-sucedido encontro com a dupla DJDS, na quente Trees On Fire, ao recém-anunciado trabalho em parceria com o coletivo Dirty Projectors, sobram contribuições e passagens da artista pela obra de diferentes colaboradores.

Curioso perceber em Conexão (2018, PMR / Virgin EMI), segundo e mais recente EP de inéditas da cantora, uma obra que se distancia desse universo plural para mergulhar em um ambiente conceitualmente homogêneo, contido. Claramente inspirada pelo soul, pop e R&B produzido entre o final dos anos 1980 e início da década de 1990, Mark desacelera, transformando a própria voz em uma ferramenta de exposição sentimental e diálogo imediato com o ouvinte.

Eu posso sentir pela maneira como você me olha / Está escrito em todo o seu rosto adorável … Você é tão elétrico / A maneira como falamos a linguagem corporal / E tudo está conectado“, canta na autointitulada faixa de abertura do EP, uma bossa nova inebriante, ponto de partida para o restante da trabalho. Instantes em que Mark se distancia do material entregue há poucos meses, no comercial 3:33am (2017), para brincar com a lenta sobreposição dos arranjos e versos, proposta que muito se assemelha ao trabalho de Kali Uchis em Isolation (2018).

Ponto central do trabalho, Love Me Right talvez seja a faixa que melhor incorpora o passado recente e a atual fase da cantora. Enquanto os versos se entregam aos sentimentos e confissões românticas — “Eu sou a luz em sua vida / E você me ama a cada dia mais / Vamos, saia do telefone, preciso sentir seu corpo / Você está começando a me deixar louca” —, musicalmente, a canção vai de encontro ao mesmo R&B sofisticado de Jessie Ware, ampliando os domínios criativos de Mark.

Parte dessa transformação vem do claro desejo da artista em revisitar o trabalho de veteranos da música negra. É o caso de Sade, artista homenageada por Mark na minuciosa interpretação de Love Is Stronger Than Pride. Faixa de abertura do terceiro álbum de estúdio da cantora britânica, a canção de versos sensíveis não apenas cresce na voz da artista norte-americana, como parecer inspirar parte da sonoridade detalhada em cada uma das composições do presente disco.

Prova disso está na derradeira All The Work, um soul-pop-latino que ganha forma aos poucos, costurando batidas que sutilmente convidam o ouvinte a dançar. Um colorido jogo de batidas, ritmos e vozes que preserva a essência doce apresentada em Conexão, porém, a todo momento usa de artifícios para dialogar com os antigos trabalhos da cantora, vide a forte similaridade com a produção de singles como Heatwave, Monsoon e todo o material originalmente entregue por Mark em 3:33am.

 


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