"Cosmos"

Ano: 2017
Selo: Honey Bomb Records / Subtrópico / PWR Records
Gênero: Rock Psicodélico, Dream Pop
Para quem gosta de: Boogarins, BIKE
Ouça: Sideral, Raio de Sol e Portal
Nota: 8.5

Resenha: “Cosmos”, My Magical Glowing Lens

Como um portal, a psicodélica imagem de capa produzida para Cosmos (2017), trabalho assinado pelo designer gráfico Demytrius Meneghetti de Pieri, nasce como uma passagem direta para o ambiente de cores e emanações lisérgicas do grupo capixaba My Magical Glowing Lens. Experimentos controlados que pervertem uma série de conceitos melódicos há muito consolidadas no cenário musical brasileiro. Ruídos, vozes e ambientações etéreas que perturbam qualquer traço de previsão ou mínimo contato com a realidade ao longo do registro.

Artesanal, produto da forte interferência e produção de Gabriela Deptulski, responsável pelo projeto, o trabalho de 11 faixas e distribuição pelos selos Honey Bomb Records, Subtrópico e PWR Records muda de direção a cada nova faixa. Fragmentos vindos de diferentes épocas e tendências, como se a base lisérgica de veteranos como Pink Floyd e Os Mutantes se encontrasse com a obra de novatos aos moldes de Tame Impala e Melody’s Echo Chamber. Bases eletrônica e arranjos etéreos que costuram o trabalho do primeiro ao último acorde.

Resultado de uma série de experimentos que a artista de Vitória, Espírito Santo, vem produzindo desde o lançamento do primeiro EP de inéditas da banda, lançado em dezembro de 2013, o presente disco se espalha de forma a orquestrar um pop místico, hipnótico e doce. Pinceladas etéreas que têm início em Sideral, delicada faixa de abertura do álbum, mas que indicam maior refinamento durante a construção de músicas como Raio de Sol ou mesmo a crescente Portal, música que flerta com a boa fase do Pink Floyd em The Dark Side of the Moon (1973).

Ora cantado em inglês, ora em português, Cosmos sustenta nos versos a base para uma obra delirante e particular. São músicas que se apoiam em referências cósmicas, caso de Supernova (“Dentro do vento eu vi a lua nascer / Dentro da noite eu vi o sol se esconder“), ou mesmo elementos da natureza, base para a poesia acolhedora que cresce em Raio de Sol (“Viajando no azul do céu / Vem um vento e sopra teus cabelos“). Cenários e cores que se conectam diretamente aos sentimentos confessos de Deptulski.

Um bom exemplo disso está em Não Há Um Você No Seu Interior, quinta música do álbum. “Tenho a emoção / E não tenho medo / Não tenho solução / E vou voar“, canta Deptulski em uma delicada reflexão sobe os próprios sentimentos, conflitos internos e busca pela libertação. Em Tente Entender, quarta faixa do disco, versos que expandem a temática do amor, mergulhando na exploração do universo de forma essencialmente metafórica e sutil (“Tente entender o amor / Do infinito concreto vai descendo do espaço / Da distância do perto viajando no aberto“).

Completo com a presença do baterista Henrique Paoli, o baixista Gil Mello e tecladista Pedro Moscardi, Cosmos chega em boa fase, dialogando com uma série de obras recentes, caso do psicodélico Em Busca da Viagem Eterna, segundo e mais novo álbum do grupo paulista BIKE. Uma colorida viagem cósmica que tem início na atmosfera eletrônica de Sideral, passa pela poesia bucólica de Raio de Sol, cresce na combinação de melodias entre Supernova e Portal e segue até o último sussurro da semi-acústica Madruga.

 

Veja também:


Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Send this to friend