"Darling of the Afterglow"

Ano: 2017
Selo: Arbutus
Gênero: Art Pop, R&B
Para quem gosta de: FKA Twigs, Grimes
Ouça: The Road, Into The Blue
Nota: 7.3

Resenha: “Darling of the Afterglow”, Lydia Ainsworth

Em 2014, quando lançou Right from Real, Lydia Ainsworth parecia seguir a trilha deixada por Grimes, Kate Bush e demais representantes do Art Pop. Uma coleção de faixas marcadas pelo uso de pequenos experimentos, arranjos tortos e melodias pouco convencionais. De forma curiosa, um precioso cartão de visita, passagem natural para um mundo de possibilidades que se revela de forma parcialmente renovada dentro do segundo e mais recente álbum da cantora canadense, Darling of the Afterglow (2017, Arbutus).

Acessível quando próximo do trabalho apresentado há três anos, o registro de 11 faixas delicadamente aproxima Ainsworth de um novo universo de referências. São arranjos descomplicados, a busca declarada por um som que dialoga com elementos do pop/R&B, porém, preservando o leve experimentalismo da artista canadense. Pouco mais de 40 minutos de duração em que a cantora apresenta essa nova identidade ao público, postura reforçada logo na imagem de capa do disco.

Musicalmente íntima do mesmo som produzido por Banks, BROODS e outros representantes do “pop alternativo”, Ainsworth faz de cada composição no interior do trabalho um objeto de fácil comunicação com o ouvinte. Logo na abertura do disco, a bem-sucedida combinação de What is It? e The Road. Em um intervalo de apenas seis minutos, a artista canadense vai da atmosfera densa que marca a faixa de abertura ao som ensolarado que escapa da faixa seguinte, reforçando o aspecto versátil da obra.

Em Ricochet, terceira faixa do disco, a busca declarada por um som provocante, íntimo do mesmo R&B produzido por The Weeknd e FKA Twigs. Difícil não ser arrastado pela solução de batidas e sintetizadores envolventes que cercam a voz forte da cantora. A mesma sonoridade se repete ainda na delicada Afterglow, música que converte a voz de Ainsworth em um instrumento complementar, estímulo também para a soturna Open Doors, apresentada logo em sequência.

Com a chegada da acústica Spinning, música que soa como uma canção esquecida de Beyoncé no álbum B’Day (2006), Ainsworth abre passagem para o lado mais diverso da obra. O diálogo com o Hip-Hop nas batidas de Into The Blue, sintetizadores e vozes instrumentais em I Can Feel It, o minimalismo envolvente WLCM. Sobre até para uma interpretação delicada do clássico Wicked Game, música eternizada pelo cantor e compositor norte-americano Chris Isaak no final dos anos 1980.

Para o fechamento do disco, Ainsworth reserva ao público a experimental Nightime Watching. Verdadeiro mosaico instrumental, a faixa não apenas repete grande parte dos elementos testados em Darling of the Afterglow — vide a base eletrônica e flertes com o R&B —, como se conecta diretamente ao material apresentado pela cantora em Right from Real. São arranjos orquestrais, vozes em coro e samples, como se passado e presente do som produzido pela artista canadense se encontrassem em um único ponto.

 

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