"Dedicated to Bobby Jameson"

Ano: 2017
Selo: Mexican Summer
Gênero: Pop Psicodélico, Lo-Fi
Para quem gosta de: John Maus e Mac DeMarco
Ouça: Feels Like Heaven e Time To Live
Nota: 8.0

Resenha: “Dedicated to Bobby Jameson”, Ariel Pink

É incrível como Ariel Pink, mesmo próximo de um som cada vez mais comercial, acessível, parece preservar a própria identidade artística. Parte de uma geração de artistas que produziram os próprios trabalhos de forma artesanal, dentro de estúdios caseiros e a custos baixíssimos, o músico norte-americano alcança o 11º álbum de estúdio ampliando conceitualmente a mesma estética, porém, testando os próprios limites criativos, efeito reforçado no uso de boas melodias e versos sempre descomplicados.

Produto direto das experiências que abasteceram o elogiado pom pom (2014), último registro de inéditas do músico original de Los Angeles, California, Dedicated to Bobby Jameson (2017, Mexican Summer) flutua em meio a ambientações hipnagógicas, diálogos com o rock psicodélico dos anos 1970 e doses controladas de ruídos. Um imenso labirinto instrumental, ponto de partida para confissão de sentimentos (Feels Like Heaven) e pequenas experimentações com a música pop (Santa’s In The Closet).

Como o título do trabalho indica, o novo álbum de Ariel Pink nasce como uma homenagem ao cantor e compositor norte-americano Bobby Jameson (1945 – 2015), cultuado representante do folk psicodélico produzido no final dos anos 1960, mas que viu a própria carreira se esvair depois de uma série de problemas com álcool e outros excessos. Entretanto, não se trata apenas de uma obra conceitual ou temática, pelo contrário, sobrevive em cada composição um reflexo da mente atormentada e insana de Pink.

Na trilha do material que vem sendo produzido desde 2010, durante o lançamento da obra-prima do músico, o elogiado Before Today, Dedicated to Bobby Jameson nasce como um convite a visitar o universo particular do músico norte-americano. Composições que se perdem em meio a delírios psicodélicos, caso da doce Another Weekend, ou mesmo pequenas sobreposições ruidosas, marca da crescente Time To Live, faixa de quase seis minutos de duração e um dos melhores trabalhos já produzidos pelo músico.

Com um pé nos anos 1980, como tudo aquilo que Pink vem produzindo desde o início da presente década, Dedicated to Bobby Jameson encanta pela forma como o músico californiano perverte o uso dos sintetizadores, resultando na composição de um som torto, propositadamente instável. Basta voltar os ouvidos para músicas como Death Patrol, I Wanna Be Young e Acting, parceria com o produtor Dâm-Funk, para perceber a forma como Pink perverte o passado de forma sempre curiosa, distanciando o registro de um material previsível.

Interessante perceber que mesmo dentro desse universo marcado pela forte experimentação, Pink em nenhum momento se distancia da produção de som capaz de fisgar o ouvinte logo em uma primeira audição. Do refrão cíclico que abastece a faixa-título da obra, passando pelo doce romantismo de Another Weekend e Feels Like Heaven, até alcançar os instantes de maior delírio e lisergia da obra, sobram vozes harmônicas, versos fáceis e arranjos que sutilmente transportam o ouvinte para o território particular de Pink.

 


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