"Despedida"

Ano: 2018
Selo: Loop Discos
Gênero: Indie Rock, Rock Alternativo
Para quem gosta de: Apanhador Só e O Terno
Ouça: Por Que É Tão Difícil Esquecer? e Pássaros Negros
Nota: 7.5

Resenha: “Despedida”, Pública

Como indicado logo no título do trabalho, Despedida (2018, Loop Discos), quarto álbum de estúdio na carreira do grupo gaúcho Pública, é uma obra guiada em essência pelos sentimentos. Primeiro registro de inéditas da banda em sete anos, o sucessor do bom Canções de Guerra (2011) traz de volta a mesma atmosfera melancólica que vem sendo explorada pela projeto de Porto Alegre desde o primeiro lançamento autoral, Polaris (2006), ainda hoje, um dos exemplares mais sensíveis do rock nacional.

Inicialmente previsto para 2015, quando a banda apresentou ao público a dolorosa Por Que É Tão Difícil Esquecer?, primeiro single do disco, Despedida acabou levando um pouco mais de tempo até ser finalizado e entregue ao público, reflexo das escolhas “menos megalomaníacas” de seus realizadores e projetos paralelos de seus integrantes, como explicou o vocalista Pedro Metz. Um breve silenciamento que apenas contribui para o fortalecimento da obra, delicada do primeiro ao último verso.

Oscilando entre a catarse e o parcial recolhimento dos arranjos e versos, Despedida, como tudo aquilo que a banda gaúcha vem produzindo desde o início da carreira, parece brincar com as emoções do ouvinte. Instantes em que o eu lírico, sempre guiado pela voz de Metz, não somente desaba, como consola o público, flutuando em meio a versos sorumbáticos, desilusões amorosas e conflitos cotidianos que dialogam com as experiências de qualquer jovem adulto — romântico ou não.

Ainda que a já citada Por Que É Tão Difícil Esquecer? seja capaz de sintetizar toda a força criativa e entrega que marca o disco, faixa após faixa, cada fragmento poético parece pensado para acertar o ouvinte. “Enfrentaria o mundo inteiro para ficar do teu lado / Não importando quantas armas se erguessem pra mim“, cresce a letra de Pássaros Negros, outro fino exemplar da poesia sensível que recheia o disco e orienta a experiência do público até a derradeira 27 & 33.

Obra de canções grandiosas, o registro traz de volta a perfeita combinação de guitarras carregadas de efeitos, pianos e batidas destacadas, direcionamento ampliado pelo grupo durante o lançamento do álbum Como Num Filme Sem Um Fim (2008). O destaque acaba ficando por conta da inserção de metais em pontos estratégicos da obra. É o caso da crescente Mesma História, composição que ganha forma aos poucos, revelando incontáveis camadas instrumentais e vozes em coro.

Curto, mas não menos expressivo, Despedida faz de cada uma de suas oito composições um objeto precioso. Trata-se de uma clara continuação de tudo aquilo que o grupo gaúcho vem produzindo desde o início da carreira, direcionamento que talvez prejudica o crescimento e identidade do álbum, efeito da forte similaridade entre as faixas, mas que acaba encantando o ouvinte pela forma como cada fragmento poético parece pensado para emocionar, convencendo o ouvinte sem grandes dificuldades.

 


3 thoughts on “Resenha: “Despedida”, Pública

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Send this to friend