"diary 001"

Ano: 2018
Selo: Fader
Gênero: Pop, Indie Pop
Para quem gosta de: Boy Pablo, King Krule e Nicole Dollanganger
Ouça: Hello? e Pretty Girl
Nota: 7.5

Resenha: “Diary 001”, Clairo

Estranho pensar que diary 001 (2018, Fader) seja apenas o primeiro registro oficial na carreira de Claire Cottrill. Seja sob o título de Clairo ou DJ Baby Benz, quatro anos se passaram desde que a jovem original de Carlisle, Massachusetts, vem se revezando na composição de faixas caseiras, registros em vídeo publicados no YouTube ou mesmo fragmentos aleatórios espalhados por diferentes redes sociais, como Tumblr, Instagram e uma página do Facebook que apresenta um número de seguidores muito acima da média para uma artista “iniciante”.

Parte de uma geração de criadores que aprendeu a produzir e compartilhar as próprias canções de forma independente, Cottrill transporta para dentro do aguardado “debute” parte da mesma atmosfera caseira que vem incorporando desde as primeiras canções autorais. Um pop torto e minimalista, talvez limitado na forma como a artista explora o uso da voz, porém, honesto na forma como expressa os sentimentos e pequenas inquietações intimistas.

Eu estava tão cega por você, agora choro / Pensando no quanto fui idiota / Eu fui tão idiota! / Agora, eu estou sozinha, mas é melhor para mim / Eu não preciso de toda sua negatividade“, canta em Preety Girl, uma fração do romantismo jovial que orienta a composição dos versos. Instantes em que Cottrill traduz as desilusões sentimentais de qualquer jovem adulto ou adolescente, porém, livre do mesmo som plástico que orienta o trabalho de tantos outros representantes da música pop — sejam eles antigos ou recentes.

Composições guiadas pelo vazio, a falta de comunicação entre os indivíduos e o estranho afastamento gerado pelas redes sociais. Exemplo disso, está na poesia triste de Hello?, música assinada em parceria com o rapper irlandês Rejjie Snow. “Você está interessado em mim como estou em você? / Você quer fazer as coisas que eu quero fazer com você? / Você está tão perto e tão longe / Eu me pergunto como você é quando está no escuro”, canta em uma melancólica representação de um típico relacionamento à distância.

Interessante perceber na base instrumental montada para o EP um complemento à poesia triste de Clairo. São batidas esqueléticas, sintetizadores e bases sempre diminutas, como se o ouvinte fosse transportado para o quarto/estúdio caseiro da cantora. Mesmo B.O.M.B., faixa que se abre para a produção do britânico Danny L Harle (PC Music), pouco se afasta do restante da obra, dialogando com o mesmo pop melódico de músicas já conhecidas, caso de Flaming Hot Cheetos e 4EVER.

Longe de parecer uma obra completa, diary 001, como o próprio título indica, nada mais é do que um compilado das experiências recentes e sentimentos particulares de Clairo. Canções que se espalham sem pressa, delicadas e ainda incompletas, como a demo How, música escolhida para o fechamento do disco. Trata-se de um sensível esboço criativo, como se tudo aquilo que vem sendo produzido pela cantora desde o início da carreira fosse organizado dentro de um mesmo registro — ou página de um diário.

 


Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Send this to friend