"Dies Iræ Xerox"

Ano: 2018
Selo: Dial
Gênero: Eletrônica, Ambient Techno
Para quem gosta de: Skee Mask, Leon Vincent e The Field
Ouça: Vanguard e Tunnel Stalker
Nota: 8.0

Resenha: “Dies Iræ Xerox”, DJ Richard

A forma como explora a ambientação dos próprios trabalhos talvez seja o grande diferencial na obra de DJ Richard. Original de Rhode Island, o artista norte-americano passou os últimos anos se aventurando na construção de um série de registros marcados pelo contraste. Composições essencialmente climáticas, porém, entrecortadas pela inserção de ruídos metálicos e diálogos breves com as pistas, ponto de partida para o material entregue em Dies Iræ Xerox (2018, Dial), segundo e mais recente lançamento de inéditas do artista.

Perfeita continuação do material entregue há três anos, durante a produção do excelente Grind (2015), além, claro, do curto repertório montado para o EP Path of Ruin (2017), apresentado no último ano, Dies Iræ Xerox vai da euforia ao breve recolhimento em um intervalo de poucos minutos. Exemplo disso está na sequência de músicas que inauguram o disco — Pitfall, Vanguard e a própria faixa-título. Composições guiadas pela mesma base atmosférica, porém, tratadas de forma singular, indo de ambientações minimalistas ao uso de sintetizadores loucos, como em Vanguard, composição que parece saída de algum disco do The Knife.

A principal diferença em relação ao material entregue por DJ Richard em Grind está na forma como o produtor parece “costurar” diferentes faixas como parte de um ato único. É o caso da climática Crimson Curve, música que acaba servindo de passagem para o material entregue logo em sequência, na experimental Tunnel Stalker, uma das canções mais poderosas do disco. Respiros ambientais que antecedem a força dos sintetizadores e batidas sujas incorporadas pelo artista.

Claro que nem todas as composições do disco parecem seguir essa lógica. Com exatos sete minutos de duração, Dissolving World não apenas se projeta de forma isolada, mergulhando em meio a sintetizadores etéreos, como garante o fechamento ideal à primeira metade do disco. Não por acaso, toda a base de músicas entregues logo em sequência indicam uma postura transformada, por vezes agressiva, por parte do artista. Mesmo as atmosféricas In Broad Daylight e Final Mercy abraçam uma identidade soturna, dialogando com a obscura imagem de capa do disco.

Interessante perceber em músicas como Ex Aere uma soma de todas essas experiências incorporadas pelo produtor ao longo do disco. Enquanto os minutos iniciais da canção se espalham sem pressa, detalhando ambientações sutis, cada batida lançada por Richard parece transportar o ouvinte para um novo território. São colagens e temas percussivos que, delicadamente, ampliam parte do material apresentado pelo artista no álbum anterior, esbarrando vez ou outra no mesmo techno climático de nomes como Aphex Twin e The Field.

Capaz de manter a atenção do ouvinte em alta até o último segundo, durante a produção da derradeira Gate of Roses, Dies Iræ Xerox reflete o cuidado de DJ Rashad na composição de cada elemento do disco. São texturas atmosféricas, batidas abafadas e sintetizadores perfeitamente encaixados, sem pressa, como se o produtor norte-americano jogasse com a experiência do público. Como tudo aquilo que o artista vem produzindo desde o início da carreira, uma obra pensada para se perder dentro dela.

 


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