"Dissolvi"

Ano: 2018
Selo: Ghostly International
Gênero: Experimental, Eletrônica
Para quem gosta de: Emeralds e Oneohtrix Point Never
Ouça: Saccade e M Path
Nota: 7.7

Resenha: “Dissolvi”, Steve Hauschildt

Dos três integrantes do Emeralds (2006 – 2013), Steve Hauschildt sempre foi o que mais se atentou ao uso de fórmulas eletrônicas. São texturas atmosféricas, ruídos e inserções minimalistas que se espalham por toda a sequência de obras que vem sendo produzidas pelo músico norte-americano há mais de uma década. Um som minucioso, cuidado que se reflete desde o amadurecimento criativo em Tragedy & Geometry (2011), mas que alcança novo resultado nas canções de Dissolvi (2018, Ghostly International).

Primeiro registro de inéditas de Hauschildt desde o ótimo Strands (2016), o trabalho sustenta no completo reducionismo dos elementos a base para cada uma das oito faixas que recheiam o disco. É como se tudo aquilo que foi produzido pelo artista nos últimos registros de inéditas fosse remontado de forma ainda mais sensível, revelando ao público uma obra que cresce aos poucos, em pequenas doses, direcionamento que orienta o ouvinte até a homônima faixa de encerramento.

Não por acaso, Hauschildt escolheu M Path como música de abertura do álbum. Trata-se de um ato lento, porém, essencialmente detalhista e fundamental para o direcionamento estético da obra. Construída a partir de sintetizadores e bases cíclicas, delicadamente a canção se abre para a inserção de batidas e temas eletrônicos que parecem dialogar com o passado. Difícil não lembrar de Aphex Twin na série Selected Ambient Works, efeito reforçado também na música seguinte, a experimental Phantox.

São essas mesmas batidas e direcionamentos semi-dançantes que afastam Hauschildt do material entregue no álbum anterior. Onde antes borbulhavam composições que pareciam flutuar em uma nuvem de sons sintéticos, sempre climáticas, hoje surgem canções guiadas pela força natural das batidas. Nada que de fato rompa com o conceito atmosférico que há tempos vem sendo explorado pelo artista, porém, o princípio para um novo universo criativo, como se o produtor aos poucos mudasse de direção.

Outro claro destaque do álbum está na inserção de vozes em duas das principais faixas do disco. De um lado, o canto etéreo de Julianna Barwick, colaboradora na mágica Saccade, composição que poderia facilmente fazer parte do último registro autoral da cantora, Will (2016). No outro, a experimental Syncope, parceria com a musicista nova-iorquina GABI que transporta o registro para um novo território, lembrando, em muitos aspectos, o som produzido pelo britânico Four Tet.

Trabalhado em uma estrutura progressiva e crescente, Dissolvi vai do breve recolhimento, nos minutos iniciais, à produção faixas grandiosas, exploradas próximo ao fechamento do álbum. São variações instrumentais que tingem com novidade o som produzido por Hauschildt, revelando desde faixas marcadas pela força dos arranjos, como em Alienself, até canções que fazem da economia dos elementos o principal componente criativo da obra.