"Dust"

Ano: 2017
Selo: Hyperdub
Gênero: Experimental, Eletrônica
Para quem gosta de: Julia Holter e Björk
Ouça: Jelly e Do U Ever Happen
Nota: 8.0

Resenha: “Dust”, Laurel Halo

Previsibilidade é uma palavra que não se aplica à obra de Laurel Halo. Em um intervalo de apenas sete anos, a cantora, compositora e produtora original de Ann Arbor, Michigan, deu vida a uma sequência de álbuns marcados pela transformação. Trabalhos que vão do pop etéreo de Quarantine (2012), primeiro registro em estúdio produzido pela artista, ao preciso diálogo com a música eletrônica em Chance of Rain (2013), disco que aproximou Halo da música concreta e demais campos experimentais.

Com a chegada de Dust (2017, Hyperdub), terceiro álbum em carreira solo, Halo vai além. Trata-se de uma obra marcada pela forte colaboração, passagem para a chegada de personagens curiosos da música norte-americana. Fragmentos instrumentais e poéticos que não apenas incorporam uma série de elementos originalmente testados nos dois primeiros discos da produtora, como pervertem esse universo de forma ainda mais complexa, transportando o ouvinte para um novo ambiente criativo.

Heterogêneo, o registro de 11 faixas faz de cada composição um experimento isolado. Instantes em que Halo cruza elementos da música concreta com o pop eletrônico, caso da acessível Jelly, esbarra em elementos do jazz e da música de câmara, conceito explorado com maior naturalidade em Arschkriecher, ao mesmo tempo em que dialoga com as pistas de dança sem necessariamente fazer disso o princípio para uma obra descartável. Um mosaico sonoro marcado pelos detalhes.

Sufocada durante o lançamento do último registro de inéditas da produtora, a voz ganha novo e delicado significado em Dust. São versos declamados, como na experimental Who Won?, parceria com o diretor e escritor inglês Michael Salu, ou mesmo faixas produzidas a partir do canto de diferentes artistas, marca da dançante Jelly, com três convidados diferentes. A própria Halo assume uma posição de destaque em diversas músicas ao longo do disco, caso da sombria Syzygy, nona faixa do disco.

Para a ambientação do trabalho, a produtora também contou com a forte interferência de um grupo de instrumentistas. Um bom exemplo disso está na densa Do U Ever Happen, décima canção do álbum. Enquanto Halo espalha fragmentos eletrônicos durante toda a construção da faixa, nomes como Julia Holter (violoncelo), Diamond Terrifier (saxofone) e Craig Clouse (piano elétrico), ocupam as pequenas lacunas da canção de forma detalhista, brincando sempre com as texturas e ambientações.

Novo (e delicado) capítulo dentro da curta discografia produzida por Halo, Dust não apenas preserva as experiências originalmente incorporadas pela artista norte-americana nos dois primeiros discos, como transporta o ouvinte para um novo universo criativo. No interior de cada composição ou mínimo fragmento sonoro, ambientações complexas, texturas, samples, vozes etéreas e batidas produzidas a partir de elementos cotidianos, fazendo com que o álbum cresça e ganhe novo significado a cada audição.

 

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