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Resenha: “Ears” / “Sunergy”, Kaitlyn Aurelia Smith

Artista: Kaitlyn Aurelia Smith / Suzanne Ciani
Gênero: Experimental, Eletrônica, Ambient Music
Acesse: http://www.kaitlynaureliasmith.com/

 

Dona de uma extensa discografia, remixes e trilhas sonoras produzidas para diferentes filmes e instalações visuais, Kaitlyn Aurelia Smith está longe de ser encarada como uma novata. Todavia, foi com o lançamento de Euclid (2015), primeiro álbum distribuído por um selo de médio porte — o Western Vinyl —, que o trabalho da musicista de Orcas Island foi oficialmente apresentado ao público. Um registro de temas minimalistas, sempre curioso, estímulo para os dois principais lançamentos da artista nos últimos meses.

Sucessor do elogiado “debut”, Ears (2016, Western Vinyl) nasce como uma clara extensão dos experimentos, melodias e ruídos eletrônicos inicialmente incorporados pela artista. Um emaranhado de pequenas emanações cósmicas que tanto dialogam com os primórdios da ambient music, vide a inaugural First Flight, como elementos extraídos de outros estilos e frentes musicais, caso do dream pop que cresce dentro da sutil Envelop.

Observado com atenção, Smith transporta para dentro do disco a mesma atmosfera colorida que aparece estampada na capa do álbum. Fragmentos orgânicos e eletrônicos que se agrupam de forma a revelar uma estrutura maior, essencialmente complexa. Não é difícil se perder no interior do trabalho, afinal, dentro de cada composição sobrevive um imenso mosaico repleto de cores, referências e incontáveis variações instrumentais.

O mesmo cuidado acaba se repetindo dentro do cósmico Sunergy. Produzido em parceria com a compositora italiana Suzanne Ciani, um dos grandes nomes da música eletrônica dos anos 1970 e 1980, o registro de apenas duas faixas – três na versão digital –, revela ao público o perfeito diálogo entre duas personagens vindas de épocas e cenários completamente distintos. De um lado, o quebra-cabeça eletrônico de Smith, no outro, a delicada tapeçaria sintética de Ciani, íntima das mesmas ambientações etéreas lançadas por veteranos da New Age.

Parte da série FRKWYS, projeto experimental comandado pelo selo nova-iorquino RVNG INTL., Sunergy parece seguir a trilha de outros lançamentos e obras colaborativas apresentadas pela mesma gravadora – como o curioso encontro entre Julianna Barwick e Ikue Mori, em 2011. Uma verdadeira troca de experiências e improvisos em estúdio, percepção reforçada nos pouco mais de 20 minutos de A New Day, composição escolhida para inaugurar o trabalho.

Livre de respostas, Smith entrega ao público duas obras movidas pela incerteza. Seja no isolamento de um estúdio caseiro ou em parceria com Ciani, cada composição lentamente se parte em um mundo de pequenos detalhes, texturas eletrônicas, referências com o passado e melodias psicodélicas que revelam a assinatura da musicista. Uma versão levemente “polida” do mesmo material produzido pela artista desde o começo da presente década.

 

Ears (2016, Western Vinyl) / Sunergy (2016, RVNG INTL.)

Nota: 8.0 / 8.0
Para quem gosta de: Julianna Barwick, Mark Pritchard e Jefre Cantu-Ledesma
Ouça: Arthropoda, A New Day e First Flight

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