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Resenha: “Em cada verso um contra-ataque”, Aíla

Artista: Aíla
Gênero: Rock, Alternativa, MPB
Acesse: http://www.ailamusic.com/

Foto: Julia Rodrigues

Rápido / Tá tudo rápido / Acelerado / Demasiado / O tempo, o vento, o oi, o tchau / Tchau”. A aceleração que marca os versos de Rápido, canção escolhida para apresentar o inédito Em cada verso um contra-ataque (2016, Independente), segundo registro em estúdio de Aíla, diz muito sobre o som explorado pela artista. Quatro anos após o colorido Trelelê (2012), obra que apresentou o trabalho da paraense, sobrevive na poesia política e progressista das canções a base do novo álbum.

Urgente e enxuto — são apenas nove faixas dissolvidas em pouco mais de 30 minutos de duração —, o trabalho que conta com produção assinada por Lucas Santtana apresenta ao público uma cantora parcialmente transformada, intensa. Logo na abertura do disco, a “punk” Clã da Pá Virada, música que dialoga com a essência raivosa de veteranos como As Mercenárias e acaba apontando a direção seguida pela artista durante parte expressiva da obra.

Em Lesbigay, segunda faixa do disco e músico composta em parceria com Dona Onete, um respiro leve. Entre ruídos eletrônicos e batidas capazes de arrastar o ouvinte para as pistas, Aíla explora a temática da libertação sexual, estreitando (musicalmente) a relação com o trabalho apresentado há quatro anos. Logo em seguida, passada a aceleração de Rápido, Será, quarta faixa do disco, traz de volta o trabalho para o conceito político/social alavancado pela cantora.

A mesma proposta acaba servindo de base para a amarga Tijolo, música que discute a corrupção dos próprios indivíduos, mergulha no cenário político do Brasil e sintetiza parte da angústia presente no álbum. Não por acaso a leve Melanina, faixa composta pelo paraibano Chico César, chega logo em sequência. Um descomplicado jogo de vozes, guitarras e batidas quentes que trata da temática racial de forma acessível, bem-humorada – “Você precisa urgentemente amor / De um amiguinho de cor”.

Na descritiva #Nãovoucalar, um precioso fragmento poético da obra. Enquanto as batidas e sintetizadores incorporam de forma assertiva uma série de elementos típicos da música paraense, nos versos, Aíla escancara o peso do machismo, abusos e toda a opressão sofrida diariamente pelas mulheres em qualquer espaço público. “Não vou calar, eu vou gritar / Se insistir, eu vou berrar mais alto / Esculachar tua cara, arrochar tua tara / Seu dissimulado”, grita a cantora.

Já no encerramento do disco, Aíla desacelera, porém, mantém firme a coerência da obra. Na dobradinha formada por O amor é o cão e Você tem medo, por quê?, esta última, assinada em parceria com o cantor e compositor mineiro César Lacerda, os temas eletrônicos abram espaço para o explícito preciosismo dos instrumentos, detalhando conflitos pessoais e versos intimistas sem necessariamente perverter a poesia afiada que movimenta grande parte do trabalho.

 

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Em cada verso um contra-ataque (2016, Independente)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Lucas Santtana, Tulipa Ruiz, Felipe Cordeiro
Ouça: Rápido, Lesbigay e #NãoVouCalar

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One thought on “Resenha: “Em cada verso um contra-ataque”, Aíla

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