"Exile in the Outer Ring"

Ano: 2017
Selo: City Slang
Gênero: Experimental, Rock Alternativo
Para quem gosta de: PJ Harvey e Cat Power
Ouça: Blood and Chalk e Recived Love
Nota: 8.0

Resenha: “Exile in the Outer Ring”, EMA

Em comemoração aos 20 anos do clássico Nevermind (1991), obra-prima do Nirvana, a revista norte-americana Spin decidiu convidar um time de músicos da cena alternativa para produzir uma nova versão em homenagem ao trabalho. O resultado está na gravação do tributo Newermind, registro de 2011 que conta com a participação de nomes como Titus Andronicus, Amanda Palmer, Surfer Blood e até do cantor Charles Bradley, responsável pela curiosa adaptação de Stay Away.

Convidada a regravar a faixa de encerramento do disco, Endless, Nameless, a então novata Erika M. Anderson talvez seja quem melhor conseguiu interpretar o trabalho originalmente produzido por Kurt Cobain. Entre camadas de ruídos e distorções sujas, EMA transporta para dentro da curta composição parte expressiva do material apresentado meses antes no debute Past Life Martyred Saints (2011), ampliando consideravelmente a ambientação caótica que caracteriza a obra do trio de Seattle.

Primeiro registro de inéditas da cantora em um intervalo de três anos, Exile in the Outer Ring (2017, City Slang) não apenas replica essa mesma atmosfera perturbadora, como confirma o esforço de EMA em se reinventar dentro de estúdio. Vindo em sequência ao ótimo The Future’s Void, lançado em 2014, o novo álbum cresce em um ritmo próprio, dosando antigos experimentos eletrônicos da cantora de forma a soterrar vozes raivosas em meio a camadas de ruídos que apontam para a cena alternativa dos anos 1990.

Difícil não lembrar de PJ Harvey na dobradinha formada Blood and Chalk e Down and Out, composições montadas em uma estrutura crescente, salpicadas pelo uso de guitarras marcadas pela crueza. Em Fire Water Air LSD, sexta música do disco, um diálogo atualizado com a cena grunge, lembrando em alguns aspectos o trabalho de St. Vincent no homônimo disco de 2014. Décadas de referências que se dobram de forma a atender aos delírios instrumentais e o fino exercício poético de EMA.

Um bom exemplo disso está em Recived Love, nona canção do álbum. Enquanto a cantora de Portland confessa os próprios sentimentos, sufocando em meio a memórias de um passado ainda recente, musicalmente, EMA desacelera para invadir o mesmo território criativo de Cat Power no libertador Sun (2012). Surgem ainda músicas como 7 Years, BreathalyzerWhere The Darkness Began em que os demônios, medos e tormentos da cantora ganham forma, rivalizando com a maturidade poética de Past Life Martyred Saints.

Interessante perceber que mesmo dentro desse turbilhão emocional/sonoro, Exile in the Outer Ring em nenhum momento soa como uma obra desequilibrada, torta e confusa. Pelo contrário, poucas vezes antes um trabalho de EMA pareceu tão seguro. Versos que refletem a alma atormentada da cantora e compositora norte-americana, encontrando no uso de temas confessionais, declarações e conflitos sentimentais uma espécie de linha conceitual que amarra cada uma das canções do disco.

 


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