"EXIT"

Dado Villa-Lobos

Ano: 2017
Selo: Rock It!
Gênero: Rock, Rock Alternativo
Para quem gosta de: Paulo Miklos e Titãs
Ouça: 7X1 e Voltando Pra Escola
Nota: 7.7

Resenha: “EXIT”, Dado Villa-Lobos

Produto das inquietações, medos, confissões românticas e pensamentos de Dado Villa-Lobos, EXIT (2017, Rock It!) lentamente se espalha de forma a revelar um imenso bloco de possibilidades. Um lento desvendar dos principais tormentos e referências que bagunçam a cabeça do também integrante da Legião Urbana. Canções que vão do caos urbano ao sutil recolhimento instrumental e poético, como uma fina tradução musical do fluxo de ideias que bagunça a cabeça não apenas do cantor e guitarrista belga, mas de qualquer indivíduo.

Primeiro registro de inéditas passada a longa turnê em que percorreu o Brasil com os parceiros da Legião Urbana, o sucessor de O Passo do Colapso (2012) se revela por completo logo na inaugural 7×1. Um rock denso, sujo e raivoso, tocando a música psicodélica em meio a camadas de ruídos e emanações típicas do shoegaze/rock alternativo no início dos anos 1990. Nos versos, a descrença no sistema político, conflitos diários e as angustias do eu lírico. Um turbilhão poético/instrumental que se conecta diretamente à amarga Fogueira de Natal, música escolhida pelo músico para apresentar o trabalho há poucas semanas.

Em Blue, Villa-Lobos desacelera e passa a investir em um som melódico, lembrando os instantes de maior leveza que marcam o primeiro álbum em carreira solo, Jardim de Cactus (2005). Camadas de ruídos que se dobram de forma a produzir um som hipnótico, por vezes acolhedor, conceito também replicado em A Saudade dos Unicórnios, música que flutua em meio a ambientações distorcidas, criando uma ponte para os temas acústicos, harmonias vocais e versos metafóricos de Então Vem, quinta faixa do disco.

Complexa, replicando parte da energia detalhada na inaugural 7×1, Partida, sexta canção do álbum, cresce em meio a guitarras maquiadas pelo uso de efeitos, metais e vozes abafadas, como um delírio transformado em música. Na canção seguinte, Bolha, um registro complexo em se tratando dos arranjos e temas instrumentais, porém, um tropeço breve na voz limitada de Villa-Lobos. Versos semi-declamados, arrastados, tornando a audição do material uma experiência desgastante, principalmente quando mergulhamos na canção seguinte, Integrado, outro ato preciso musicalmente, porém, falho no uso dos vocais.

Com versos em francês, L’Oiel Du Drone nasce como um fragmento isolado no interior do trabalho. Difícil não lembrar do veterano Serge Gainsbourg (1928-1991), efeito da poesia declamada e arranjos contidos que se espalham sem pressa no interior da canção. Um ato minucioso, completo pela chegada de Respeite, música inaugurada pela voz e base acústica de Villa-Lobos, porém, maior à medida que o ouvinte passeia pelo interior da canção e suas curvas instrumentais.

Como faixa de encerramento do disco, o artista reserva ao público uma de suas melhores criações. Trata-se da bilíngue Voltando Pra Escola, composição encorpada pela inserção de memórias particulares de Villa-Lobos, captações de campo, guitarras dotadas de um colorido raro, sintetizadores e vozes sobrepostas que tendem ao etéreo. Um ato minucioso e atrativo até a última nota, reflexo da bem-sucedida produção assinada em parceria com Estevão Casé e Lucas Vasconcellos, colaboradores do músico durante toda a execução do trabalho.

 

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