"Gone Now"

Ano: 2017
Selo: RCA
Gênero: Indie Pop, Pop Rock
Para quem gosta de: Twin Shadow, Fun. e Lorde
Ouça: Hate That You Know Me, Don't Take The Money
Nota: 7.3

Resenha: “Gone Now”, Bleachers

Seja como integrante do extinto coletivo Steel Train, membro do Fun., ou mesmo na produção de trabalhos assinados em parceria com diferentes artistas, caso de Grimes, Taylor Swift, Lorde e Carly Rae Jepsen, Jack Antonoff passou grande parte da última década se reinventando. De todo esse universo de referências e colaborações constantes, vem a principal fonte de inspiração para o segundo e mais recente álbum de inéditas do músico de New Jersey como Bleachers, Gone Now (2017, RCA).

Desenvolvido em um intervalo de quase três anos, o sucessor de Strange Desire (2014) mostra que Antonoff continua a se aventurar pelo pop, rock e R&B produzido entre o final dos anos 1980 e início da década de 1990. Fortemente influenciado pela obra de artistas como Bruce Springsteen, Prince, David Bowie e outros personagens de destaque do mesmo período, o músico norte-americano passeia pelo trabalho de 11 faixas reciclando grande parte dessas referências de forma nostálgica e atual.

Batidas e bases ecoadas, guitarras pontuais, sintetizadores essencialmente dançantes, respiros, palmas e voz em coro. Ouvir Gone Now é como sintetizar uma rádio durante a programação de clássicos da madrugada. Fragmentos que se agrupam de forma melódica, proposta reforçada logo na inaugural Dream of Mickey Mantle, uma canção montada a partir de fragmentos, versos e referências instrumentais que abastecem o registro do primeiro ao último acorde, como uma sutil apresentação.

Urgente quando comparado ao som apresentado em Strange Desire, o presente álbum faz de cada composição um estímulo para a faixa seguinte. Pianos e vozes sampleadas que conectam Dream of Mickey Mantle e Goodmorning, sintetizadores e batidas eletrônicas capazes de aproximar a parceria com Carly Rae Jepsen em Hate That You Know Me do pop épico de Don’t Take the Money, música completa pela voz da neo-zelandesa Lorde. Peças que se encaixam de forma a revelar uma obra única.

Repleto de músicas comercialmente acessíveis, Antonoff reserva toda a primeira metade do disco para que o ouvinte seja fisgado sem dificuldades. Um bom exemplo disso está em Everybody Lost Somebody, um soul-rock que dialoga com a mesma atmosfera crescente do Fun. no álbum Some Nights (2012). Um cuidado que não se repete na segunda porção do trabalho, resultado de experimentos, melodias tortas e músicas fracionadas que se flertam com a obra de Ariel Rechtshaid (HAIM, Sky Ferreira).

Embora instável, Gone Now está longe de parecer um tropeço dentro da curta discografia do Bleachers. Pelo contrário, trata-se de um criativo exercício de transformação, como uma necessária ruptura, inquietação e funcional ponto de partida para uma nova fase dentro da carreira do músico norte-americano. Um imenso catálogo de ideias, melodias e versos que se materializam em instantes de claro acerto e momentos de declarada busca por novas possibilidades.

 

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