"Good Time"

Ano: 2017
Selo: Warp
Gênero: Experimental, Eletrônica
Para quem gosta de: Tim Hecker e Cliff Martinez
Ouça: Hospital Escape e The Acid Hits
Nota: 7.8

Resenha: “Good Time Original Motion Picture Soundtrack”, Oneohtrix Point Never

Com direção de Ben e Josh Safdie, o suspense Good Times (2017) mostra o esforço de Constantine Nikas, personagem interpretado pelo ator Robert Pattinson, em salvar o irmão mais novo após uma tentativa frustrada de assalto. A película, terceiro registro da parceria entre os irmãos nova-iorquinos, ainda conta com a presença da atriz, Jennifer Jason Leigh e roteiro co-produzido por Ronald Bronstein, colaborador da dupla desde o longa Go Get Some Rosemary, de 2009.

Recebido de forma positiva pela crítica e aclamado como um dos grandes projetos de 2017, o trabalho carrega na premiada trilha sonora de Daniel Lopatin, grande vencedor no Festival de Cannes deste ano, a passagem para uma obra marcada pelo parcial experimentalismo do produtor norte-americano. Ruídos, samples, vozes e melodias eletrônicas que resumem com naturalidade grande parte da discografia produzida pelo artista como Oneohtrix Point Never.

Lenta desconstrução de tudo aquilo que Cliff Martinez (Drive), Disasterpeace (A Corrente do Mal) e outros produtores vêm desenvolvendo na composição de trilhas sonoras recentes, a provocativa obra de OPN encontra no uso de sintetizadores um componente de ritmo, como se Lopatin ditasse o fluxo das imagens. Instantes em que o artista nova-iorquino vai da calmaria ao caos, brincando com a forma como o público é arremessado de um canto a outro da obra.

Claramente inspirado pela obra de veteranos como John Carpenter e Tangerine Dream, responsáveis pela ambientação de clássicos do horror/suspense nos anos 1970, Lopatin passeia pelo trabalho costurando passagens de sutil repetição, como o principal estímulo para a formação de uma obra hipnótica. Prova disso está nos sintetizadores de Hospital Escape / Access-A-Ride, música que joga com o minimalismo e sobreposição dos elementos, cercando o ouvinte lentamente.

Entre composições que utilizam de trechos do próprio filme, Lopatin aproveita para resgatar uma série de elementos originalmente testados em obras recentes de sua própria autoria, caso de R Plus Seven (2013) e Garden of Delete (2015). O encontro entre as faixas The Acid Hits e Leaving the Park talvez seja o melhor exemplo disso. Recortes eletrônicos que flutuam por entre diferentes universos instrumentais mesmo em um curto espaço de tempo. Surgem ainda músicas como The Pure and the Damned, bem-sucedido encontro com o veterano Iggy Pop.

Acessível quando próximo de outros trabalhos produzidos por Oneohtrix Point Never, Good Times curiosamente resgata uma série de elementos originalmente testados pelo artista nos primeiros álbuns de estúdio. Ambientações atmosféricas que esbarram no mesmo universo criativo de Betrayed in the Octagon (2007) e Russian Mind (2009), como uma delicada continuação do som que apresentou Daniel Lopatin e vem sendo produzido pelo artista há mais de uma década.