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Resenha: “Guizadorbital”, Guizado

Artista: Guizado
Gênero: Jazz, Eletrônica, Experimental
Acesse:  https://www.facebook.com/guizado.man

 

Os temas eletrônicos sempre fizeram parte do trabalho de Guilherme Mendonça. Da estreia com Punx (2008), primeiro álbum de estúdio como Guizado, passando por obras como Calavera (2010), até alcançar o recente O Voo do Dragão (2015), disco que mistura elementos do Jazz com Hip-Hop, grande parte da discografia do músico paulistano esteve aberta ao uso de sintetizadores, programações eletrônicas e diferentes ambientações sintéticas que crescem com maior naturalidade dentro do quarto e mais recente projeto do trompetista, Guizadorbital (2016, EAEO Records).

Gravado ao vivo no Epicentro Cultural, o álbum de temas “cósmicos” — cada canção leva o nome de um corpo celeste — flutua entre ambientações que escapam do trompete de Mendonça e a rica tapeçaria eletrônica que se espalha ao fundo do disco. Por vezes contido como a inaugural Plutão indica, o novo álbum acaba criando uma involuntária ponte para o som produzido há oito anos no primeiro registro inéditas do Guizado, efeito da atmosfera climática que ocupa grande parte da obra.

Perceba como as guitarras, batidas e todo o pano de fundo instrumental se orienta de forma a alavancar o trompete de Mendonça. A mesma base atmosférica que cresce em músicas já conhecidas como Sagitariu’s Dream e Vermelho, porém, maquiada pelo uso de ruídos eletrônicos, futurísticos. Um curioso remix, como se o time de músicos – completo com Thiago Duar (baixo, sintetizadore e cordas), Beto Montag (vibrafone elétrico) e Allen Alencar (guitarra) – brincasse de forma ativa com a reciclagem de ideias.

Mesmo ancorado em elementos anteriormente testados por Mendonça em outros discos, Guizadorbital se abre para uma série de novos experimentos e possibilidades rítmicas. São vozes sampleadas, como o canto melancólico que cresce em loop ao fundo de Júpiter, os versos declamados em Netuno e toda a massa de ruídos sujos que se pouco a pouco se agrupam no interior do trabalho. Seis composições claramente distintas, mas que se amarram de forma a revelar um material essencialmente complexo, hipnótico.

Canção escolhida para o fechamento do disco, a extensa Sol, com pouco mais de 16 minutos de duração, nasce como um delicado resumo de toda a obra. Inicialmente contida, a faixa dominada pelo uso de sintetizadores, guitarras e batidas precisas cresce de forma a incorporar um som caótico, turbulento. É como se pequenos retalhos de toda a sequência de faixas que inauguram o disco fossem costurados no interior da canção, revelando ao público um ato de puro experimento.

Marcado pelo improviso e o “fluxo espontâneo” de cada instrumentista, Guizadorbital mostra um processo de gravação diferente em relação aos últimos trabalhos de Mendonça. Em entrevista, o músico explicou que os integrantes da banda só tiveram acesso ao esboço das composições somente no dia da gravação. O resultado está na construção de uma obra livre, propositadamente instável e fascinante mesmo nos instantes em que o grupo segue sem qualquer direção específica.

 

GUIZADORBITAL (2016, EAEO Records)

Nota: 8.2
Para quem gosta de:  São Paulo Underground, Thiago França e Hurtmold
Ouça: Plutão, Júpiter e Sol

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