"Harry Styles"

Ano: 2017
Selo: Erskine / Columbia
Gênero: Pop Rock, Pop
Para quem gosta de: The Kooks, Arctic Monkeys
Ouça: Sign Of The Times e Two Ghosts
Nota: 7.0

Resenha: “Harry Styles”, Harry Styles

Depois de seis anos como integrante do One Direction, não seria estranho se Harry Styles percorresse a mesma trilha comercial em carreira solo. Todavia, na contramão do pop pegajoso produzido pela boy band britânica, o cantor e compositor inglês faz do bem-sucedido debute autoral a passagem para um mundo de novas possibilidades. Composições que resgatam a essência de veteranos do rock produzido na década de 1970, 1990 e 2000 sem necessariamente perder o brilho e energia dos antigos trabalhos produzidos pelo músico.

Como indicado durante o lançamento Sign of the Times, composição escolhida para apresentar o autointitulado registro de dez faixas, Styles e o time composto pelos produtores Alex Salibian (Mikky Ekko, Young The Giant), Jeff Bhasker (Kanye West, Lana Del Rey) e Tyler Johnson (Taylor Swift, Ed Sheeran) encontram no passado a base para o presente registro. Canções ancoradas na obra de gigantes do pop-rock britânico, como Queen, Elton John, Oasis e, principalmente, David Bowie, referência que orienta grande parte do trabalho.

Longe e parecer um registro essencialmente nostálgico, o novo disco traz de volta a mesma crueza e frescor de parte expressiva do rock inglês que floresceu na segunda metade dos anos 2000. Difícil não lembrar do som pulsante do Arctic Monkeys nas guitarras pesadas e batidas rápidas de Kiwi e Only Angel. Mesmo a acústica Sweet Creature, quinta faixa do disco, surge como uma possível adaptação do material produzido pelo The Kooks durante as gravações do primeiro álbum de estúdio, Inside In/Inside Out, de 2006.

Todo esse cuidado acaba se refletindo na composição de uma obra que parece pensada para as apresentações ao vivo do cantor. Da ambientação crescente de Sign of the Times, música feita para ser cantada em coro, a plenos pulmões, passando romantismo de Two Ghosts e a completa leveza de Sweet Creature, difícil não ser arrastado pela força dos arranjos e versos que ocupam todo o interior do registro. Um cuidado talvez maior do que o do ex-parceiro de banda, Zayn Malik, durante a execução no primeiro álbum em carreira solo, Mind of Mine (2016).

Interessado perceber como mesmo acessível ao grande público, a estreia solo de Styles se abre para o uso de pequenos “experimentos”. Quantos discos de música pop recentes você conhece em que parte expressiva das faixas se espalham em meio a longas introduções e respiros instrumentais como em Meet Me in the Hallway e Sign Of The Times? Mais do que um ruptura em relação ao som produzido com o One Direction, a estreia de Styles indica o nascimento de um artista curioso, lembrando em alguns aspectos Justin Timberlake no inaugural Justified (2002).

Como indicado na imagem de capa do disco e todo o material de divulgação dos primeiros singles, tanto o rosto como as tatuagens, uma das principais marcas do cantor britânico, surgem parcialmente cobertas. Ainda que o título da obra carregue o nome e sobrenome do jovem artista, tudo soa como uma reformulada tentativa de apresentação. Talvez sufocado pela completa ausência de novidade, Styles e os parceiros de estúdio finalizam uma obra repleta de boas músicas e que acabam servindo de estímulo para o início de uma nova e naturalmente promissora carreira.

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